"A Árvore da Vida" é afirmação de um cinema diverso

A digestão do trabalho de Terence Malick é complicada. O ritmo de seus filmes é pouco convencional. Os planos, longos. A falta de explicações incomoda estômagos menos afeitos a iguarias. "A Ávore da Vida" é um Terence Malick legítimo. Está tudo lá.

Além do prestígio do diretor, a Palma de Ouro em Cannes foi o que atraiu a maior parte do público para suas exibições. Muitos também foram atraídos pelo nome magnético de Brad Pitt, ou pela grife Sean Penn. E aí houve muita chiadeira. Porque o filme é bem pouco convencional para o público que costuma acompanhar a carreira de Pitt, por exemplo.

"A Árvore da Vida" é até que razoavelmente simples, no que diz respeito à trama. Basicamente, concentra-se em retratar uma época da vida de uma família de três garotos. A história é "semi-narrada" por Jack (Hunter McCraken), cujo intérprete na fase adulta é Sean Penn.

Por meio de memórias de sua infância, Jack vai construindo a imagem de seu pai (Brad Pitt). Um homem-da-casa típico dos subúrbios de classe média norte-americana dos anos 50 - até um tanto estereotipado. Sob um olhar psicanalítico, Malick, também roteirista, resvala em conceitos como o Édipo, por exemplo.

Como eu disse, a trama não tem nada de mais. E nem tem essa pretensão. Só que Malick decidiu também entremear esses pequenos episódios com imagens que remetem ao surgimento do universo, da vida no planeta, cenas da natureza. As imagens importam menos do que parece.

Mas é aí que está o grande problema do filme no que diz respeito à decepção de parte do público. Ao tentar "encaixar" as cenas da natureza na história da família, muitos espectadores acabam perdendo a paciência. Buscam no filme um objetivo que o autor não tem. E veem nisso um defeito.

"A Árvore da Vida" não é um filme de compreensão. Nem todos são. Mas é como obra para observação que ele se torna relevante. Inclusive por motivos menos nobres, como a beleza do elenco.

Assim como "Além da Linha Vermelha", do qual lembro não ter gostado, aos 18 anos, é normal que alguém não tenha o momento mais divertido de sua vida com este filme. Até porque não creio que essa tenha sido a intenção de Malick.

O mais importante é que com seu oitavo filme, Malick volta a nos lembrar que não existe só um jeito de se fazer cinema, goste-se, ou não. Ainda bem.
"A Árvore da Vida" é afirmação de um cinema diverso "A Árvore da Vida" é afirmação de um cinema diverso Reviewed by Diego Iwata Lima on 16:21 Rating: 5

Um comentário:

luizFM disse...

O filme é exatamente o que você descreveu, mas a capa e o trailler vendem 'outra coisa', mais alegre e positiva. Parece que nem mesmo o pessoal por trás do 'marketing' do filme gostou da versão final.

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