"O Homem do Futuro"

No início do mês, eu assisti a uma palestra do jornalista e cineasta José Roberto Torero. Uma das coisas que ele disse chamou muito a minha atenção. Ele classificou o cinema brasileiro como o "samba do criolo doido", dizendo que atira para todos os lados, mas não consegue atingir um objetivo.

Dias depois, eu fui ao cinema e assisti a "O Homem do Futuro", com Wagner Moura e Alinne Moraes. E cheguei à conclusão de que ou eu não entendo nada de cinema ou Torero errou. O filme acerta, e muito, o objetivo: agradar a todos e convencer que o Brasil pode fazer, dentro dos seus limites, ficção científica.

Zero (Wagner Moura) é um cientista infeliz com a vida que leva. Ele desenvolve, secretamente, um acelerador de partículas capaz de levá-lo para outra época. Sim, a famosa "máquina do tempo". E ele vai parar em uma data muito marcante em sua vida, com a chance de alterar o seu futuro. A história já é conhecida. Podemos acompanhá-la em "De volta para o Futuro", "Efeito Borboleta" e alguns outros grandes sucessos americanos.

Porém, Cláudio Torres consegue acertar no roteiro e não te deixa com a sensação de mais do mesmo. O diretor, que além de ter um talento hereditário - é filho de Fernanda Montenegro e Fernando Torres-, já tem outros dois sucessos na bagagem: "A Mulher Invisível" e "Redentor". Não que seja o melhor filme dos últimos tempos, mas a história lhe prende - por mais que você já imagine o final.


Além disso, o filme é realmente engraçado. Um humor diferenciado e inteligente. Diferente do que estamos vendo nas telinhas ultimamente, não apela para o sexo para conseguir arrancar risadas do público. O simples também impressiona. As brincadeiras com as coisas do passado também fazem parte da graça do filme. Como piadas com o Michael Jackson, celulares "tijolão" e o cruzeiro no lugar do real. Os efeitos especiais, que não são o forte do cinema nacional, são convincentes.

Os dois pontos principais que me fizeram sair do cinema encantada foram os personagens principais e a trilha sonora. Eu duvido que você não terminará o filme cantarolando Tempo Perdido, do Legião Urbana - música que embala uma boa parte da trama. Além dos sucessos Inútil, do Ultraje à Rigor, e Creep, do Radiohead.


Wagner Moura é a cereja do bolo. Fica até difícil lembrar que aquele cientista bobo e inseguro é o mesmo cara que interpreta o Capitão Nascimento, de Tropa de Elite. Sua atuação é perfeita. Wagner mostra, mais uma vez, porque ganhou o posto de queridinho do cinema brasileiro, ao lado de Selton Mello. Alinne Moraes, que interpreta Helena - o amor da vida de Zero - está mais deslumbrante do que nunca na telona do cinema. Além deles, Cláudio Torres acerta com Gabriel Braga Nunes, Fernando Ceylão e Maria Luísa Mendonça nos papéis coadjuvantes.

Enfim, um filme diferente, com roteiro e estilo hollywoodiano, mas com a cara bem brasileira. Indicado para você, seu namorado (a) e toda a sua família. E enquanto você não vai ao cinema, curta um pouco de Tempo Perdido, nas vozes de Alinne Moraes e Wagner Moura (é empolgante demaaais!):

"O Homem do Futuro" "O Homem do Futuro" Reviewed by Mayara Munhoz on 01:36 Rating: 5

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