"Um Conto Chinês" e o toque de Midas de Ricardo Darín

Depois de chorar por copiosos 15 minutos e deixar a sala do antigo Cinearte, do Conjunto Nacional, em São Paulo, precisei ir ao banheiro lavar o rosto. "O Darin é o melhor ator latino-americano vivo."

A frase dita por um senhor que lavava as mãos gerou risos condescendentes de um outro. Muito emocionado com o final de "Mesmo Amor, Mesma Chuva", naquele dia de 2004, tive ímpetos de concordar. Mas fiquei quieto.

 

Ricardo Darín é um tipo sensacionalmente simples. Tem o estilo daquele vizinho esquisito de todo mundo, com cara de bravo e voz rouca. E assim ele é, em todos os papéis. Como o trambiqueiro de "Nove Rainhas", o falido de "O Filho da Noiva", o investigador de "O Segredo dos Seus Olhos", o criminosos paranormal de "El Aura"... e para que eu não tenha de continuar a escrever sem parar, é mais fácil que o leitor "dê um imdb" na filmografia do cara.

Em "Um Conto Chinês", Darin faz um solteirão mal-humorado. Um ermitão esquisito, ombudsman da criação, que, por uma obra do acaso, se vê morando com um chinês. O filme, com cara de fábula farsesca, é uma delícia. O título, aliás, é muito acertado. As atuações estão afiadíssimas, em especial a de Muriel Santa Ana. Em sua primeira obra de importância, o diretor Sebastian Borensztein emprestou o prestígio do Darin para legitimar o projeto. E acertou.

No melhor estilo do cinema argentino, "Um Conto Chinês" explora bem a beleza e a simplicidade de Buenos Aires e do cidadão portenho, com seu típico ar blasé, para contar uma história igualmente simples, mas muito boa.

E quanto à afirmação do senhor do banheiro do primeiro parágrafo: será?

Veja aqui o trailer:
"Um Conto Chinês" e o toque de Midas de Ricardo Darín "Um Conto Chinês" e o toque de Midas de Ricardo Darín Reviewed by Diego Iwata Lima on 18:42 Rating: 5

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