Meryl Streep já é uma lenda do cinema


O Santos Futebol Clube teria a mesma fama mundial se Pelé não tivesse desembarcado por lá nos anos 50? Alguns dirão que sim. Outros dirão que isso não faz diferença, porque Pelé já jogou no Peixe e o passado não pode ser mudado.

E "A Dama de Ferro"? Seria um bom filme sem Meryl Streep? Nesse caso, como não estamos falando de esportes e, assim, não há o fator "adversário", a resposta fica bem mais fácil: não fosse pela atuação oscarizada de Meryl Streep, e pela incrível maquiagem que também levou sua estatueta, o filme seria apenas médio.

Já faz tempo que não existe uma atuação de Meryl Streep abaixo de excelente. Mas não é apenas o talento de atuação de Meryl o que garante o selo de qualidade da sua obra. O gerenciamento da carreira dela também é muito benfeito. Meryl não sobe em barca furada.



Foi assim que acabou trabalhando, por exemplo, em "Mamma Mia". A grife do texto original da Broadway e os sucessos do Abba, além de colegas de elenco como Colin Firth e Pierce Brosnan, já eram suficientes para garantir o buzz ao redor do filme, goste-se ou não do resultado. E assim foi.

Foi trabalhando em "Mamma Mia", em 2005, que a loura conheceu a diretora Phyllida Lloyd, que anos depois reencontrou em "A Dama de Ferro". Phyllida, famosa no mundo do teatro, tem de agradecer aos céus o dia em que foi apresentada a Streep. Certamente, a proximidade das duas durante a filmagem do musical na Grécia foi um dos trunfos que levaram a atriz à biografia da ex-premier da Inglaterra.

A plateia assiste à vida da ex-manda-chuva da Inglaterra, de filha de quitandeiro a chefe de governo e mais. Portadora do mal de Alzheimer, já na fase das alucinações, a Baronesa Thatcher mistura realidade, ficção, passado e presente à medida que vemos sua consolidação política e pessoal acontecer, por meio de flashbacks.


A montagem não é das mais felizes. O roteiro pouco inventivo da desconhecida Abi Morgan falha nas transições entre os diferentes períodos de tempo, por exemplo. Mas a obra é correta, no geral. Quadradinha, mas correta. E consegue apresentar um lado mais humano da conservadora líder política. Phyllida Lloyd não suaviza Thatcher. O contrário, evidencia que a ex-governante era uma mulher de posições duras e inflexíveis.

No corpo de Meryl Streep, diante de um elenco que, salvo por Jim Broadbent (Dennis, marido de Thatcher), não lhe faz frente, Margaret Thatcher parece ainda mais poderosa. Tal qual fez com a Miranda Priestley, de "O Diabo veste Prada", Meryl atua com olhares e sorrisos com a eloquência que muitos atores não conseguem com centenas de palavras.


Analisando, talvez Meryl seja a razão para não haver no filme nenhum encontro da Rainha Elizabeth com sua primeira-ministra. Afinal, que atriz conseguiria ter mais presença que Meryl em cena? Os ingleses, sempre muito cuidadosos com a imagem de sua monarca, devem ter pensado nisso. Uma boa alternativa teria sido convencer Helen Mirren a reprisar seu papel de "A Rainha" (2006). Aliás, está aí um dueto que teria sido interessante presenciar. Poucos orçamentos, no entanto, o permitiriam.

"A Dama de Ferro" se torna bom porque Meryl Streep convence como Thatcher. Ao mesmo tempo, o filme tem na atriz seu maior mérito e o sinal mais claro de seus defeitos. Porque Meryl convenceria também como Tony Blair ou Pelé, se fosse escalada para tais papéis.

Meryl Streep chegou ao estado pleno de excelência, que só as lendas atingem. E Meryl Streep já se tornou uma.
Meryl Streep já é uma lenda do cinema Meryl Streep já é uma lenda do cinema Reviewed by Diego Iwata Lima on 18:11 Rating: 5

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