Scorsese sai da rotina em homenagem ao cinema

Não sou muito fã de filmes em 3D. Essa tecnologia sempre me faz sair do cinema com dor de cabeça. Porém, essa semana descobri que quando o filme é muito bom, isso não acontece. "A invenção de Hugo Cabret" é impressionante. É uma viagem ao passado com um toque de futuro. Além disso, é uma bela homenagem à história do cinema.

Hugo (Asa Butterfield) é um garoto que vive em uma estação de trem em Paris. Após a morte do seu pai (Jude Law), o menino de 12 anos passa a morar com o tio (Ray Winstone), responsável pela manutenção dos relógios da estação. Depois que o tio some, ele é que assume essa função. Passeando pelas paredes do local, Hugo tem um sonho: concertar um autômato que seu pai o deixou. O garoto acredita que o robô guarda uma mensagem do pai, que pode dar significado a sua vida.

O filme é baseado no livro "A invenção de Hugo Cabret", escrito em 2007 por Brian Selznick. A história conta a vida do diretor George Méliès, um dos pioneiros dos efeitos especiais no cinema. No longa ele é vivido por Ben Kingsley e recebe o carinhoso apelido de Papa Georges.


Martin Scorsese fez sucesso recentemente com o premiado "Os Infiltrados", de 2006. O longa ganhou quatro estatuetas do Oscar - melhor filme, melhor diretor, melhor montagem e melhor roteiro adaptado. Normalmente, os filmes dele  possuem temática densa, mais adulta. Como podemos ver em "Gangues de Nova York", "O Aviador" e "Os Bons Companheiros". Quase todos os filmes dirigidos por Scorsese receberam indicações ao Oscar.


Hugo Cabret é diferente. Não em relação ao Oscar, claro. Está concorrendo em 11 categorias esse ano, entre elas, melhor filme, melhor diretor e fotografia. Mas esse é o primeiro longa do cineasta que é direcionado para o público infantil.

Scorsese contou que se identifica muito com o personagem principal do longa. Em uma de suas coletivas de pré-estreia, ele explicou que por causa de uma crise de asma, teve uma infância muito isolada. Por não poder praticar esportes, ele se rendeu - e se apaixonou - pelo mundo do cinema.

O longa retrata bem essa paixão pelo cinema. Contando desde a história dos irmão Lumière até as criações de Méliès, Scorsese faz um passeio pelos filmes antigos. Para quem gosta de cinema, é um prato cheio. Principalmente se você assistir ao "O Artista" na mesma semana.


A tecnologia usada no filme é a mesma vista em "Avatar". O diretor usou as câmeras fusions criadas por James Cameron e Vincent Pac. E ele soube usar o 3D muito bem. O recurso se integra à história e cria um mundo quase real. Isso pode ser visto logo na primeira cena, quando Hugo vê a cidade de cima do relógio da estação.

Asa Butterfield está perfeito. O garoto é encantador e nos apresenta uma atuação impecável. Ao lado da linda Chloë Grace Moretz, que interpreta Isabelle, são os dois pontos altos do longa. O interessante é a maneira como os personagens secundários são integrados à história. A rotina de cada um deles dá um toque de realidade à história. Destaque para o Agente (Sacha Baron Cohen) que cuida da segurança e da ordem da estação.


Hugo Cabret é uma história sedutora. e que envolve  pelo drama do garoto Hugo, bem como pela sequência de ótimas cenas. Não é mesmo à toa que foi indicado em 11 categorias. Apesar de ser um filme infantil, agrada pessoas de todas as idades.
Scorsese sai da rotina em homenagem ao cinema Scorsese sai da rotina em homenagem ao cinema Reviewed by Mayara Munhoz on 01:39 Rating: 5

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