O homem que mudou o jogo

"Moneyball - O homem que mudou o jogo" não deve ter vida fácil nos cinemas brasileiros - mesmo com Brad Pitt no elenco. Indicado ao grande prêmio da noite, o filme de Bennett Miller (indicado ao Oscar por "Capote") tem como pano de fundo os bastidores do mundo do beisebol, um esporte completamente alheio à realidade nacional. Pior do que isso, o filme é praticamente uma ode ao uso de estatísticas quase científicas como bússola de rumos administrativos, contratações e até esquemas de jogos dos times. Sim, soa chato.

Surpresa: "Moneyball" é um filme gostoso de se assistir. Fala sim de beisebol e de percentuais de rebatidas, conquistas de bases e outros termos que dizem pouco para quem não é um fã do esporte do taco. Mas também, como quase todo filme de esporte, conta uma história de superação, com tendências edifcantes, o que quase ninguém admite, mas faz bem à alma, de vez em quando. E a história de "Moneyball" tem a seu favor o fato de ser real.

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Billy Beane (Brad Pitt) não conseguiu se tornar um grande jogador de beisebol, contrariando prognósticos de diversos olheiros e técnicos de categorias de ligas infantis e escolares. Mas tornou-se Scout - recrutadores que observam jogadores jovens para grandes equipes. Com conhecimento do assunto, seguiu no mundo do beisebol e tornou-se general manager do Oakland A's, um time mediano na liga norte-americana.


Para quem vive no Brasil, onde o semi-amadorismo ainda dá as cartas, enxergar os "clubes", no que diz respeito às suas administrações, como meras franquias licenciadas, é bastante curioso. E não se engane. Mesmo sendo corporações, os times têm torcedores devotados e apaixonados. Lá, como cá, são os torcedores que movem a máquina. Muitas vezes, pelo lado de dentro.

E aí que entra o personagem do cada vez melhor Jonah Hill. Sou fã desse cara desde "Superbad". Assisto a qualquer coisa que Jonah, Evan Goldberg e Seth Rogen façam. Indicado ao Globo de Ouro e aos Oscar, Jonah é o coadjuvante Peter Brand, um nerd de Yale que quer provar, apoiado por Billy Beane, que planilhas de Excel vencem campeonatos do esporte mais popular dos EUA.


Todo mundo conhece "experts" em determinados esportes. Nos EUA, também existem. E é no beisebol que eles constroem muitos dos seus ninhos. E ganham muito bem para dar palpites acerca de contratação de jogadores. Alguns têm mais de 40 anos de beisebol. É o emprego dos sonhos. E Brand quer fazê-los entender planilhas.

A história é real, o que suaviza alguns lugares-comuns. A vida é lugar-comum, afinal. Mas não há como se argumentar contra o que de fato aconteceu. A edição faz muito esforço para que o filme não se torne piegas. É preciso reconhecer o esforço quase inteiramente bem-sucedido.


"Moneyball" recebeu outras cinco indicações. Não será dessa vez que Brad Pitt levará seu Oscar. O filme também não deve ter sucesso na corrida pelo maior prêmio, roteiro adaptado ou edição, mais por força dos concorrentes do que por deficiências. Mas torço para Jonah Hill como melhor ator coadjuvante. Há chances. Se vier, será um bom prêmio de consolação para um bom filme. E um grande prêmio para um ator que evolui rapidamente.
O homem que mudou o jogo O homem que mudou o jogo Reviewed by Diego Iwata Lima on 17:15 Rating: 5

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