Glenn Close brilha no triste e sufocante "Albert Nobbs"


Uma tristeza densa e a sensação de claustrofobia permeiam cada minuto de "Albert Nobbs", pelo qual Glenn Close e Jane McTeer foram indicadas ao Oscar. A história da mulher que levava vida secreta como mordomo de um pequeno hotel na Irlanda, no fim do século XIX, é tão chocante que nem chega a ser comovente.

Esta foi a segunda vez que Glenn Close interpretou Nobbs. No início dos anos 80, a atriz já havia dado vida ao mordomo no teatro. Além de atuar, compor a canção original e produzir o filme, Close foi uma das responsáveis por adaptar o conto realista/naturalista de George Moore para o cinema. A história original fez parte da coletânea "Celibate Lives" (Vidas Celibatárias), que Moore publicou em 1927, seis anos antes de sua morte.

Conforme definido por uma personagem do filme, Albert Nobbs é  uma personalidade bastante esquisita. Escolheu se tornar homem para sobreviver, em decorrência de uma sucessão de tragédias pessoais, conhecidas pelos espectadores somente na metade final do filme. Cada dia vivido é um dia a menos.


A homossexualidade andrógina de Nobbs parece ser apenas uma decisão racional e conformada para o mordomo. Não há nada de idealizado em sua atitude, na verdade, assexuada. Gostaria de saber, do ponto vista psicoanalítico, como algum profissional diagnosticaria Nobbs. O mordomo também não parece sofrer de transtorno de identidade de gênero. É, simplesmente, um homem, porque assim escolheu.

Mas Nobbs, apesar da vida cheia de privações, tem um sonho: juntar dinheiro para adquirir um negócio próprio e parar de trabalhar para os outros. O projeto, inicialmente, era uma jornada individual. Mas o acaso faz com que o mordomo se depare com o pintor de paredes Hubert Page, que abre seus olhos, sem
querer, para a possibilidade de que ele possa ter alguma companhia no plano.



Se tivesse assistido a "Albert Nobbs" antes da cerimônia do Oscar, não teria cravado tão fácil meu palpite em Meryl Streep, por a "A Dama de Ferro". Até porque, assim como Meryl,  Glenn Close leva o filme nas costas, apesar de contar com um elenco mais bem afinado lhe fazendo companhia.

Uma pesquisa rápida sobre George Moore revelou que ele é conhecido por ter sido influenciado pelo trabalho do francês Emile Zolá, do também depressivo "Germinal". Não sou conhecedor do trabalho de Moore, mas pelo único contato que tive com sua obra, vi um quê de Germinal no filme.

"Albert Nobbs" é um filme tenso do começo ao fim. A noção de que a história caminha para um desfecho trágico está sempre presente, como uma sombra. Mas a porrada que atinge os espectadores, bem como a direção de onde vem o soco, surpreendem. Bem ao estilo cru do realismo britânico.


Nem Glenn Close nem Jane McTeer levaram os troféus a que concorriam, como atriz e coadjuvante, respectivamente. O filme também não venceu na categoria maquiagem, derrotado por "A Dama de Ferro". As derrotas foram justas, mas não por defeitos do filme do colombiano Rodrigo García, se não por mérito dos rivais.

De um modo geral, porém, "Albert Nobbs" é um filme apenas correto, apesar da fascinante personalidade do mordomo Nobbs e da ótima performance de Glenn Close, em sua sexta indicação, com derrota, ao Oscar.
Glenn Close brilha no triste e sufocante "Albert Nobbs" Glenn Close brilha no triste e sufocante "Albert Nobbs" Reviewed by Diego Iwata Lima on 02:13 Rating: 5

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