Despretensioso, "A Fera" homenageia o clássico infantil

Depois de vermos várias histórias em quadrinhos virarem filmes, a onda do momento em Hollywood é transformar clássicos infantis em filmes live action na telona. Em 2011, tivemos "A Garota da Capa Vermelha", a releitura gótica de "Chapeuzinho Vermelho". No início deste mês, Julia Roberts chegou aos cinemas com "Espelho, espelho meu", uma das duas adaptações de "Branca de Neve" -  a outra será lançada em junho, "Branca de Neve e o Caçador", com Kristen Stewart, a Bella de "Crepúsculo" no papel principal.

Em setembro do ano passado, o diretor Guilherme del Toro ("O Labirinto do Fauno") assinou com a Warner Bros. para fazer uma adaptação de "A Bela e a Fera". Emma Watson, de "Harry Potter" será Bela, mas o longa ainda não tem data para iniciar a produção. O que talvez poucas pessoas saibam, é que no final do ano passado o canal de televisão CBS, que já fora responsável por uma série de TV sobre o mito, de relativo sucesso nos anos 90,  usou um de seus braços fílmicos para lançar "A Fera", uma versão moderna do clássico, inspirada no livro homônimo de Alex Flinn.

O longa é estrelado por Vanessa Hudgens, de "High School Musical", e Alex Pettyfer, de "Alex Rider Contra o Tempo". O segredo para entender o real significado do filme é não criar grandes expectativas e não esperar algo a altura do clássico da Disney, lançado em 1991. Dirigido por Daniel Barnz, de "A Menina no País das Maravilhas", indicado ao prêmio principal em Sundance, "A Fera" consegue manter a essência principal do clássico que embalou a infância de muitas pessoas, inclusive desta que vos escreve. Aliás, esse foi o principal motivo pelo qual me interessei pelo longa, além, claro, de que apreciar a beleza de Pettyfer é sempre um bom motivo.



Pettyfer é Kyle, um garoto popular de Nova York. Vaidoso demais, ele só se preocupa com a beleza exterior das pessoas. Depois de vencer uma eleição no colégio, Kyle faz um discurso dizendo o quanto é importante ser bonito e zomba das pessoas que não tiveram a mesma sorte que ele. Uma garota estranha acompanha a cena de longe e não gosta nada do discurso do menino. O problema é que ela é Kendra, uma menina gótica que tem fama de ser uma bruxa. Esse é o primeiro erro do filme. Kendra é interpretada por Mary-Kate Olsen, uma das gêmeas Olsen, que está longe de ser uma menina feia.


Kyle arma uma brincadeira de péssimo gosto e convida Kendra para acompanhá-lo em uma festa. Ao chegar no local, ela descobre que foi enganada e é humilhada na frente de todos por ele, em uma clássica e óbvia referência ao lendário "Carrie, a estranha", revisitado em tantos outros longas. Como vingança, ela roga uma maldição em Kyle e o transforma em um homem careca, repleto de cicatrizes e tatuagens estranhas, ou seja, a fera. Para quebrar o feitiço, Kyle precisa que uma garota se apaixone por ele verdadeiramente no período de um ano.

Seu pai Rob (Peter Krause, da série "A Sete Palmos"), um famoso apresentador de televisão, com vergonha da aparência do filho, compra uma casa afastada da cidade e o deixa lá com sua governanta Zola (LisaGay Hamilton, da série "O Desafio") e seu tutor cego Will (Neil Patrick Harris, famoso pela série "Tal pai, tal filho", de 89). Neil Patrick, por sinal, é uma das melhores coisas do longa. Com seu ótimo senso de humor, ele é o responsável por todas as risadas do filme. E também pelos conselhos que resolvem todos, ou quase todos, os problemas da vida do confuso Kyle.


Depois de uma festa do seu ex-colégio, Kyle revê Lindy (Vanessa Hudgens), uma garota não popular, mas que já tinha chamado a atenção dele em outras ocasiões. Meia dúzia de palavras são o suficiente para que ele fique fascinado por ela e passe a vigiá-la todas as noites. Após uma confusão com o pai da garota e uns bandidos, ele convence o pai (Roc LaFortune) de que mantê-la em sua casa, longe da cidade, é mais seguro. E assim, Lindy, a bela, se torna a prisioneira da fera, que muda seu nome para Hunter, para que ela não o reconheça do colégio.

Hudgens e Pettyfer formam um belo casal e com uma química até considerável. Poderia ter sido melhor, claro. Hudgens não convence muito atuando. Nos primeiros dias da casa, quando Lindy está infeliz e revoltada com a situação, Hudgens passa para o telespectador a impressão de conformismo ou até de certo desinteresse pelo papel em si. Em algumas cenas é possível perceber que atriz está forçando para passar o sentimento necessário para o público. Já Pettyfer encarnou bem o personagem da Fera, bem melhor que o bonitão no início do filme.

Os ambientes e a fotografia são pontos positivos. A casa que Kyle passa a morar tem um ar bem sombrio, que lembra, vagamente, o castelo do clássico da Disney. O mais interessante do filme é a maneira como foi feita a releitura e a manutenção de alguns detalhes do clássico. Se no desenho a Fera não pode deixar a última pétala da rosa cair, no filme Kyle possui uma tatuagem de uma roseira inteira no braço, que muda conforme as estações do ano vão se passando. A maneira como a Fera tenta agradar e conquistar a Bela também é bem parecida. Em ambos os longas, a Fera não tem o mínimo de habilidade e sensibilidade para conseguir entender o que a garota precisa. Ele acaba precisando da ajuda de seus amigos para conseguir obter sucesso.


Para alguns, principalmente os mais adultos, o filme pode não ser  uma boa experiência. Mas para aqueles que sonharam com a história de "A Bela e a Fera" por quase toda a infância, poder rever a sua essência em um filme com pessoas de verdade e nos dias atuais, é uma bela oportunidade.
Despretensioso, "A Fera" homenageia o clássico infantil Despretensioso, "A Fera" homenageia o clássico infantil Reviewed by Mayara Munhoz on 14:34 Rating: 5

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