"Diário de um jornalista bêbado": o mestre Thompson merece um brinde!

A habilidade de atuação multiface de Johnny Depp não é nenhuma novidade. O incrível, porém, é como ele ainda é capaz de incorporar personagens surpreendentes. 

Foi assim nos filmes da franquia "Piratas do Caribe", em "A Fantástica Fábrica de Chocolate" (2006), em "O Turista" "Alice no País das Maravilhas". E não é diferente em "Diário de um jornalista bêbado", nos cinemas brasileiros a partir do dia 20 de abril.

Além de ter Depp como atrativo, na pele do protagonista Paul Kemp, o longa tem mais um trunfo: trata-se de uma adaptação do clássico livro homônimo do lendário Hunter S. Thompson, o pai do "jornalismo gonzo". 

Para quem não está familiarizado, gonzo é o termo usado para designar qualquer tipo de narrativa em que o autor do texto torna-se um personagem da história que está relatando, deixando a condição de mero espectador dos fatos. Se por um lado o gonzo costuma gerar narrativas mais vívidas, também tem o ônus de apresentar textos menos parciais e objetivos. 


Quem já conhece a fórmula de sucesso  "Depp + Thompson" nem pensa em questionar a qualidade deste mais novo trabalho. Afinal, "juntos" eles já brilharam em "Medo e Delírio em Las Vegas", de 1998, e "Gonzo: a vida e obra de Dr. Hunter S. Thompson", rodado dez anos depois.

Com direção e roteiro de Bruce Robinson (Jennifer 8), o filme acompanha a tumultuada vida do jornalista Paul Kemp, que se cansa de Nova York e muda para Porto Rico, nos anos 60. Lá, ele consegue emprego como freelancer no jornal San Juan Star, que estava à beira da falência.


Mas Kemp não é o que se pode chamar de um cara focado no trabalho. Trata-se, também, de um grande entusiasta de rum, como diz o título original "The Rum Diary". (Aliás, vale registrar que essa é mais uma infeliz versão nacional para um título de filme). Kemp costuma regar suas investidas profissionais com álcool e algumas outras substâncias.  As alucinógenas aventuras são vividas sempre ao lado dos amigos Bob Sala (Michael Rispoli) e Moburg (Giovanni Ribisi). 

Em Porto Rico, Kemp se envolve em um ambicioso esquema hoteleiro comandado por empresários norte-americanos e capitaneado pelo influente Sanderson (Aaron Eckhart), noivo da provocante Chenault (Amber Heard). O mulherengo Kemp, é claro, vai crescer os olhos para cima de Chenault, o que certamente não vai lhe facilitar a vida.

Como se não bastasse, Kemp desembarca em Porto Rico na época da fundação do Partido Novo Progressista (PNP), que queria a transformação do país em um estado norte-americano - o que efetivamente viria a acontecer. Revoltas políticas ainda eram comuns nas ruas do país, o que não pode ser chamado de habitat seguro para um jornalista constantemente embriagado e com faro para entrar em confusão.

"Diário de um jornalista bêbado" é uma  divertida comédia, com grandes atuações. Mas a iminência de seu lançamento pode ser um bom motivo para que você leia o livro em que ela foi baseada. Aliás, qualquer dia é um bom momento para se iniciar contato com a obra de Hunter S. Thompson. 
"Diário de um jornalista bêbado": o mestre Thompson merece um brinde! "Diário de um jornalista bêbado": o mestre Thompson merece um brinde! Reviewed by Gabriela Chabatura on 20:43 Rating: 5

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