Adulto, Freddie Highmore se destaca em "A Arte da Conquista"

Responda rápido: você sabe quem é Freddie Highmore? Não? Lembra-se de Charlie Bucket, o garotinho sortudo da segunda versão de "A Fantástica Fábrica de Chocolate"? Ou do menino que contracena com Johnny Depp no indicado ao Oscar "Em busca da Terra do Nunca"? Pois bem, Freddie cresceu. Hoje com 19 anos, Highmore estreia nos cinemas brasileiros, nesta sexta (13), no papel de George Zinavoy, em "A Arte da Conquista". Um surpreendente romance para adolescentes, mas que também funciona com espectadores que já passaram um pouco da idade. 

George é um adolescente problemático e melancólico, com dúvidas demais sobre a vida. No último ano do colegial, ele decide não fazer mais as tarefas de casa porque não vê mais sentido em estudar. Na verdade, George deixa de ver sentido na vida. Afinal, segundo ele, todos vamos morrer um dia. Então, para que estudar, trabalhar e construir uma vida? Esse é o dilema vivido pelo personagem principal. Bom, pelo menos até conhecer Sally Howe (Emma Roberts). Sally é o oposto de George: popular e rica. Aos poucos, os dois vão descobrindo que existem mais semelhanças do que diferenças entre as duas personalidades. Das afinidades, e também das diferenças, surge uma bonita amizade.

Apesar de o roteiro um tanto quanto clichê - e até infantil, em alguns momentos - "A Arte da Conquista" não é mais um filme de romance bonitinho adolescente. Aliás, apesar do amor que nasce entre os personagens principais, não vi o romance como o foco principal da história. Acho que o filme é mais sobre a importância de se ter algo, ou alguém, em quem confiar e que possa te ajudar a tomar decisões para o seu futuro. Como no caso de George, a faculdade que irá cursar. Sally não era apenas a garota que ele queria beijar, ela se tornou a resposta daquela pergunta que ele sempre se fazia: para que construir uma vida?

Aliás, vale o registro sobre o inadequado título em português, completamente sem inspiração. Pois se existe algo que o George não entende é a arte da conquista, no que diz respeito aos, digamos, truques de sedução. O título original com um toque existencialista "The art of getting by", algo como "A arte de ir levando" dá, de cara, uma roupagem bem menos lugar-comum ao longa.

Assim como o meu companheiro aqui do blog Diego Iwata Lima citou em sua crítica sobre "Titanic", o interessante deste roteiro não é apenas o relacionamento de George e Sally, mas também as histórias que se desenrolam simultaneamente. Os problemas financeiros do padastro de George, a recente separação da mãe de Sally e as suas atitudes que envergonham a filha e a pressão do corpo docente para que George decida sobre seu futuro. São detalhes que dão ao filme um tom mais sério e que valorizam ainda mais o roteiro muito bem escrito por Gavin Wiesen, que tem apenas um curta em sua carreira antes de "A Arte da Conquista".


E falando em curta, isso me lembra uma das poucas, talvez a única, coisa que não me agradou no filme. O tempo de duração. Por 13 minutos, o filme não é um média-metragem. Com 83 minutos de duração, a história se desenrola rápido demais e deixa de se aprofundar mais nos personagens e seus conflitos. Mas isso não faz "A Arte da Conquista" um filme ruim. É apenas um detalhe, que não fez muita diferença. Mas quando o filme acaba, fica aquela sensação de "já acabou?", sabe? 

Em 2011, "A Arte da Conquista" foi indicado ao prêmio do grande júri de melhor filme dramático em Sundance. Além desse prêmio, Emma Roberts foi indicada como melhor atriz no Teen Choice Awards, prêmio importante para esse tipo de filme adolescente, por sua atuação como Sally. Emma merece destaque, mas a indicação me parece exagero. Emma Roberts, que aliás promete se tornar uma mulher bem mais bonita que sua tia Julia Roberts, de "Espelho, espelho meu", está bem. Gosto dela principalmente nos papéis em que ela parece estar interpretando a si mesma, como em "Garota Mimada". Mas acho que faltou algo a mais em relação a Sally. A garota tinha alguns problemas bem mais complexos do que a atriz fez chegar ao público. 

Em compensação, Freddie Higmore supera todas as expectativas. Ele se mostra um ator cada vez mais confiante. George é um personagem complicado. E foi o esforço de Freddie que fez com que o personagem não parecesse mais um rebelde babaca. Ao contrário, fica claro que George é um garoto inteligente demais e compreendido de menos. Freddie também se tornou um rapaz bonito, com charme acima da média para um garoto magrinho de 19 anos. 


Além do casal de protagonistas, outros bons atores se destacam. Michael Angarano ("Quase Famosos") como o pintor Dustin, Blair Underwood (o Mr. Harris da série "As aventuras de Old Christine") como o diretor rígido, mas compreensivo da escola de George, além das belas Elizabeth Reaser (de "Grey's Anatomy" e "Crepúsculo"), como mãe de Sally, Rita Wilson ("Simplesmente Complicado"), como a mãe de George, e a sumida e não tão mais bela quanto eu me lembrava Alicia Silverstone ("As Patricinhas de Beverly Hills"), como uma das professoras do garoto.

A fotografia também merece uma lembrança aqui no texto. É incrível como mesmo tendo cedido suas ruas para trilhões de filmes, a beleza de Nova Iorque sempre sobressai quando bem usada. A região onde fica a casa de Sally é incrivelmente linda, assim como interior de sua casa. O figurino também foi bem escolhido, principalmente o do casal principal. George chama atenção com seu sobretudo de todas as cenas. Sally, com suas roupas de menininha descolada. 


Enfim, o romance que chega a alguns cinemas brasileiros nesta sexta-feira, 13, não é necessariamente apenas para o público adolescente. O conteúdo do roteiro e a maneira como ele foi conduzido foi capaz de agradar uma garota de 22 e um homem de 32, por exemplo. 

E se dizem que todos os filmes clichês trazem consigo uma "moral da história", a "Arte da Conquista" ajuda a relembrar quão importante é falar o que se sente e pensa na hora, sem deixar o tempo passar. Para não correr o risco de se arrepender por conta de uma chance perdida.
Adulto, Freddie Highmore se destaca em "A Arte da Conquista" Adulto, Freddie Highmore se destaca em "A Arte da Conquista" Reviewed by Mayara Munhoz on 17:44 Rating: 5

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