"Millennium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres"


As duas maiores inspirações da Hollywood atual são livros e refilmagens de filmes já existentes. Desta forma, "Os Homens que Não Amavam as Mulheres", filme de David Fincher de 2011 e premiado com Melhor Montagem no Oscar 2012, apostou logo nos dois de uma vez.

Primeiro vieram os livros, uma trilogia sueca escrita por Stieg Larsson, e que se tornaram best-sellers em todo o mundo. Aproveitando-se disto, a obra foi adaptada para o cinema na própria Suécia, extremamente fiel ao original. E, quando um livro de sucesso dá origem a um filme europeu de sucesso, o que acontece? Ele cruza o oceano e ganha uma montagem com mais dinheiro.

Este filme em questão é baseado no primeiro livro, "The Girl With the Dragon Tattoo" (não entendo esta mania besta de inventar títulos em português, mas deixa para lá) e conta a história do jornalista investigativo Mikael Blomkvist (Daniel Craig), que acaba de ser processado (e condenado) por uma reportagem em que acusava, aparentemente sem provas, um empresário. Com a reputação em ruínas e falido, Mikael recebe o convite de um velho milionário (Christopher Plummer) que, já no final da sua vida, só quer saber quem assassinou sua sobrinha preferida há 40 anos - há fortes indícios de que o crime foi obra de alguém da sua própria família.

Porém, conforme o filme se desenrola, as investigações mostram que a situação é mais complicada do que parece. Até que o caminho de Mikael se cruza com o de Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma jovem hacker desajustada, que o ajuda a solucionar o caso.

Acontece que, muito mais do que uma história de investigação, o filme é um suspense psicológico, com cenas e enredo fortes, mostrando o pior do ser humano. E, para quem conhece o resto da história, fica claro que esta primeira obra é apenas uma introdução para o enredo principal, principalmente nos arcos secundários.


É neste ponto que o filme "falha". Como eu vi o primeiro filme na versão sueca e li os livros, foi impossível assistir à obra do David Fincher ("Zodíaco", "O Clube da Luta") sem uma opinião já viciada. E com isto, senti algumas diferenças. A primeira é que, apesar da grande interpretação da Rooney Mara (que lhe valeu indicação ao Oscar), a Lisbeth dessa versão não tem a profundidade necessária. Ela é mais amarga, mais raivosa e mais intensa do que é apresentado pelo filme norte-americano, o que desvirtua um pouco a história. Isto fica claro na última cena, completamente inventada e desnecessária, que deixará os fãs de Lisbeth incomodados.

Outra coisa foi que mudaram alguns detalhes na história. Assim, se o filme fosse um fracasso, nenhuma aresta seria deixada. Por isso, muita coisa importante que seria contada na segunda história acaba sendo apresentada de forma superficial, com toques de pressa.

Tudo isto não faz de "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres" um filme ruim, muito pelo contrário. Mas se você gostou deste, aconselho assistir à trilogia sueca para entender melhor a história e seu desenrolar.
"Millennium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres" "Millennium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres" Reviewed by Hiran Eduardo Murbach on 10:51 Rating: 5

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