'Near, far, wherever you are', tente assistir a "Titanic" em 3D


Por que assistir a "Titanic" em 3D? Foi a pergunta que me fiz quando decidi que iria embarcar nas quase três horas de projeção da história que eu e todo mundo já conhecemos de cor, assistimos no cinema, em VHS, DVD, na "Tela Quente" da Globo, na "Sessão de Cinema" do SBT e até no "Festival de Cinema" da Record. As lágrimas idiotas que embaçaram a lente dos óculos 3D, e que atrapalharam a minha visão na cena em que a banda decide continuar tocando no convés, enquanto o navio vai a pique, me lembraram porque.

Sejamos honestos. Meloso ou não, o filme de James Cameron não levou 11 estatuetas do Oscar, incluindo melhor filme, por acaso. A história da pobre menina rica Rose que se apaixona pelo malandro pobretão Jack, vivida pela encantadora e rechonchuda na medida Kate Winslet e por um Leonardo DiCaprio novinho de tudo, enche mesmo o saco de quem não é chegado num romance. Mas se você está assitindo a "Titanic" de olho apenas nos pombinhos, está perdendo o que o filme tem de melhor. "Titanic" é um espetáculo visual absurdo, ainda mais na ótima transposição para o 3D pilotada por ninguém menos que o cara que idealizou "Avatar".


Se tivesse que ganhar apenas um Oscar em vez dos 11 que recebeu, o longa deveria ficar com o prêmio de direção de arte. O nível de detalhamento dos cenários é impressionante e fica muito mais visível em três dimensões. Como trabalhou o pessoal de cenografia! Cada cenário foi meticulosamente pensado nos detalhes mais ínfimos. Mas "Titanic" é mais que isso. O roteiro também é muito bem amarrado. Diversas tramas acontecem simultaneamente, além da história de Rose e Jack, e que temperam o filme.

Há o arco que conta o dilema do capitão do navio, dividido entre fazer o Titanic chegar a Nova Iorque a salvo ou ceder às pressões do proprietário do navio, que quer bater o recorde de velocidade em viagens marítimas. Existe também a história das divisões de classe, que culmina no drama da morte de centenas de pessoas que não conseguem acesso aos parcos botes salva-vidas. E vale destacar também as pequenas tramas, como a história da banda do navio, que eu citei acima e que foi a senha para eu começar a chorar na sala de cinema  - que só piorou quando o capitão decidiu morrer a bordo, como manda o código de ética dos marinheiros. Viu, Francesco Schettino? "Vada a bordo, cazzo!", nunca é demais dizer.


Assistir a "Titanic" novamente no cinema também me deixou feliz pelo fator nostalgia. Ali, sentado confortavelmente em uma sessão exclusiva para jornalistas, lembrei-me dos diversos percalços que passei para conseguir assistir ao longa após diversas tentativas frustradas e salas de cinema lotadas. Na época do lançamento do filme, não havia compra pela internet - que de nada adiantaria, pois eu era muito novo para ter um cartão de crédito.

Além da história de amor, das tramas paralelas, das cenas de ação do naufrágio, da direção de arte, dos efeitos visuais, das cenas de seminudez de Kate Winslet, dos belos olhos azuis de DiCaprio - dependendo do gosto de cada um - e do ótimo efeito 3D, "Titanic" emociona também quem é fã do cinema em seu  aspecto industrial. Como não valorizar um fenômeno que levou mais de 16 milhões de pessoas ao cinema no Brasil, recorde da era do cinema nacional moderno que, a despeito do crescimento do circuito, dificilmente será batido algum dia?


"Titanic" em 3D é um bom programa de tantas maneiras diferentes que vale a pena mesmo com o meloso tema cantado por Celine Dion grudando na cabeça por dias após o término da sessão. Faz mais de uma semana que eu não paro de assobiá-lo.

Em tempo, vale o registro: o verdadeiro Titanic afundou há 100 anos, no dia 14 de abril de 1912.
'Near, far, wherever you are', tente assistir a "Titanic" em 3D 'Near, far, wherever you are', tente assistir a "Titanic" em 3D Reviewed by Diego Iwata Lima on 10:41 Rating: 5

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