Parabéns, Sandler! "Cada um tem a gêmea que merece" é recordista do Framboesa de Ouro

"Cada um tem a gêmea que merece" é a maior bilheteria da carreira de Adam Sandler no Brasil. Ironicamente, a comédia vista por 2 milhões de espectadores por aqui ganhou no domingo 1º de abril TODOS os 12 troféus do "Framboesa de Ouro", premiação norte-americana que aponta os piores filmes do ano. Uma espécie de anti-oscar. Já nos Estados Unidos, o longa foi um retumbante fracasso. Arrecadou R$ 74 milhões dos US$ 79 milhões que custou.

Antes que algum americanófilo venha me dizer que isso só mostra como o brasileiro médio é mais burro que os ianques, peço calma. Afinal, quem gastou R$ 79 milhões para filmar um roteiro infantilóide, escatológico e preconceituoso foi um executivo norte-americano. Já tinha pensado nisso?


Eu fui um dos 2 milhões que pagou ingresso de cinema para assistir a "Cada um tem a gêmea que merece". Tá, pode parar de rir da minha cara. Eu sabia o que estava fazendo. Há anos que não tenho qualquer expectativa quando assisto a um filme de Sandler. Já faz tempo que o nova-iorquino está no automático, sem se importar nem um pouco com o que está filmando.

Há atores que chegam ao topo de Hollywood e passam a escolher melhor seus projetos, procurando sempre qualidade de texto, produção ou direção para enriqucer seus currículos. É o caso, por exemplo, de Jim Carrey, que depois de fazer tanta careta, apostou em filmes mais audaciosos, como "O Show de Truman" e o sensacional "Eterno Brilho da Mente sem Lembranças".

Já Sandler resolveu chutar o balde. Com poder de produzir o roteiro que lhe der na telha, escolhe sempre as mesmas formulinhas. O robô Awesome-o 4000 - na verdade Cartman fantasiado -, no melhor episódio de South Park da história (veja o engraçadíssimo episódio aqui), já nos explicou como é: "Adam Sandler se apaixona por (_______), mas antes ele tem que salvar (_________)". As lacunas podem ser qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Tente com "sua assistente" e "a si mesmo de um casamento equivocado", para "Esposa de Mentirinha". Ou "Uma amiga de sua ex" e "Um garoto de ir para um orfanato" em "O Paizão".

Das pérolas de Awesome-o, a que mais gosto, e que imagino facilmente Sandler filmando, diz: "Adam Sandler se apaixona por um coco. Mas antes, ele tem de salvar um time de futebol." Já consigo até ver o pôster com Sandler e o coco de perfil se encarando, na parte inferior, e um pé calçando chuteira pisando a cabeça de Sandler. Com o prestígio que goza, Sandler é capaz de convencer Anne Hathaway, por exemplo, a viver o coco. Título: "Coco na bola". Vai dizer que não é possível imaginar?


Em "Cada um", Adam Sandler é o publicitário ambicioso Jack, que quer ser promovido na empresa em que trabalha - logo, está apaixonado pelo cargo. Mas antes, tem de salvar sua relação com a irmã gêmea Jill, grotescamente também interpretada por ele - a atuação lhe rendeu o "Framboesa Dourada" de melhor atriz. Sim, você já sabe o que vai acontecer no filme. O que você talvez não saiba é que Al Pacino interpreta a si mesmo no longa, como um interesse amoroso de Jill. É, parando para pensar o que Pacino fez com sua carreira, de "O Poderoso Chefão" até o prêmio de pior ator coadjuvante, dá para entender mais uma razão para Sandler tê-lo como ídolo.

Se eu disser que não ri nenhuma vez vendo o filme, estarei mentindo. Adam Sandler é um excelente comediante. Surgiu no "Saturday Night Live" e construiu a careira com algumas boas atuações, dentre as quais a de "Afinado no Amor" é a de maior destaque. E confesso: Adam Sandler consegue dar "a volta" em alguns momentos de "Cada um": de tão ruins, algumas cenas chegam a se tornar divertidas.


Adam Sandler tem ao menos o mérito de saber rir de si mesmo. Em "Tá rindo de quê?", filme em que interpreta George Simmons, um comediante mesquinho e mal-humorado que se apaixona de novo por sua namorada de juventude, mas antes tem de descobrir a cura de seu câncer, as crianças do filme se deliciam com o fictíco "O Sereio", produção ridícula que rendeu milhões a George e do qual ele não se envergonha nem um pouquinho. Soa familiar, não?

"Cada um" não vai acabar com a carreira de Sandler, que vai ainda vender muito ingressos, DVD e Blu-ray discs. Em 31 de agosto, por exemplo, entra em cartaz "Esse é meu garoto", em que Sandler contracena com Andy Samberg, uma espécie de herdeiro dele. Andy, como Adam, é um judeu nova-iorquino que iniciou sua carreira no stand-up comedy e trabalha no Saturday Night Live. Mal posso esperar para jogar dinheiro fora, assistir ao filme e conseguir mais uma frase para a fórmula do Awesome-o 4000. Ou não.

Confira abaixo a lista de vencedores do Framboesa de Ouro 2012:


  • Pior Filme

- "Cada um tem a Gêmea que Merece"


  • Pior Ator

- Adam Sandler, por "Cada um tem a Gêmea que Merece" e "Esposa de Mentirinha"


  • Pior Atriz

- Adam Sandler, como Jill em "Cada um tem a Gêmea que Merece"


  • Pior Atriz Coadjuvante

- David Spade, como Monica em "Cada um tem a Gêmea que Merece"


  • Pior Ator Coadjuvante

- Al Pacino, como ele mesmo em "Cada um tem a Gêmea que Merece"


  • Pior Elenco

- "Cada um tem a Gêmea que Merece"


  • Pior Diretor

- Dennis Dugan, de "Cada um tem a Gêmea que Merece"


  • Pior Prequel, Remake, Rip-off ou Sequência

- "Cada um tem a Gêmea que Merece" (remake/rip-off de "Glen or Glenda", de Ed Wood)


  • Pior Casal na Tela

- Adam Sandler e Katie Holmes e Al Pacino e Adam Sandler, por "Cada um tem a Gêmea que Merece"


  • Pior Roteiro

Steve Koren e Adam Sandler, por "Cada um tem a Gêmea que Merece"
Parabéns, Sandler! "Cada um tem a gêmea que merece" é recordista do Framboesa de Ouro Parabéns, Sandler! "Cada um tem a gêmea que merece" é recordista do Framboesa de Ouro Reviewed by Diego Iwata Lima on 14:50 Rating: 5

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