Dei uma chance a "Dois Coelhos" e gostei do que vi

Antes de tudo, convém dizer que estou longe de ser um entusiasta de filmes brasileiros. Se desconsiderarmos os filmes dos Trapalhões, fui ter minha primeira experiência cinematográfica tupiniquim em 2008 e, até aqui, não devo ter assistido nem a dez deles. Inclusive, não assisti aos famosos "Cidade de Deus" e "Central do Brasil", tampouco qualquer clássico consagrado.

Porém, há filmes brasileiros que me agradaram. Como os já famosos "Tropa de Elite" e a comédia de ficção científica "O Homem do Futuro" . Exatamente por isso, resolvi dar um chance ao desconhecido "Dois Coelhos". E tive sorte.

Escrito e dirigido pelo iniciante Afonso Poyart, o filme não tem estrelas no elenco - a mais conhecida é a atualmente sumida Alessandra Negrini. "Dois Coelhos" é a história de Edgar (Fernando Alves Pinto), um paulistano de classe média que volta ao Brasil, após dois anos em Miami, para colocar seu plano em ação e, com isto, matar dois coelhos com uma cajadada caixa d'água só.

O plano? Bem, isto não tem como contar agora sem estragar o filme, já que ele vai sendo apresentado aos poucos. Só dá para adiantar que, seguindo fielmente a escola Guy Ritchie, os diversos personagens do submundo de São Paulo apresentados na trama se cruzam em algum momento da história, unindo as pontas do muito bem elaborado roteiro e deixando claro o tal plano de Edgar.


Desta forma, por mais que conheçamos os pecados dele - que não são poucos -, é impossível não deixar de torcer por ele. Talvez, em parte, por causa da precisa atuação do Fernando Alves Pinto, até então relegado a pequenas participações em outras produções, e que se sai bem como o carismático protagonista.

Muitos vão torcer o nariz e dizer que o filme tem muitas explosões, perseguições de carro, cortes rápidos de câmera, que tudo isto é muito Hollywood, não tendo nada a ver com o "Cinema Brasiliero". Para estes,  eu pergunto: quem determina a cara do nosso cinema? Não existem mais fronteiras cinematográficas e, com a enorme quantidade de influências, é possível existir um filme de arte norte-americano, um faroeste iraniano, um drama indiano... e um filme de ação 100% brasileiro, filmado em São Paulo - com suas belas locações - e com efeitos visuais da melhor qualidade.


Vale destaque ainda para a trilha sonora muito bem encaixada. Com tudo isto, dá para perceber bem que, além de Guy Ritchie, Afonso Poyart bebeu na fonte de Tarantino, David Lynch e Christopher Nolan, o que não é demérito algum.

"Dois Coelhos" vale ser visto. Porém, se você é daqueles puristas que odeia qualquer influência de Hollywood e acha que o cinema brasileiro é feito de filmes lentos que retratam tragédias, pobreza, sertão e favela, nem perca seu tempo. A única coisa em comum entre "Dois Coelhos" e estes filmes é o idioma.

Ah, e para terminar, o roteiro de "Dois Coelhos" foi adquirido por Hollywood. Logo veremos um remake dele rodado em Miami, Los Angeles ou New York.
Dei uma chance a "Dois Coelhos" e gostei do que vi Dei uma chance a "Dois Coelhos" e gostei do que vi Reviewed by Hiran Eduardo Murbach on 11:58 Rating: 5

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