"O Diário de uma Paixão" é melhor Nicholas Sparks dos cinemas

Se "A Última Música" é o livro que mais gosto do Nicholas Sparks, "O Diário de uma Paixão" é o filme baseado em sua obra que mais me agrada. O filme estrelado por Rachel McAdams e Ryan Gosling é absurdamente romântico. O famoso "água-com-açucar", mas que com uma boa direção, um elenco correto e o toque de Sparks se tornou um sucesso. Se você está procurando romance e lágrimas, pode embarcar de cabeça.

O filme já começa mostrando que promete emocionar até com as paisagens. A cena inicial, com o nascer do sol, beirando o lago, é linda demais. O lago faz parte do asilo onde Duke (James Garner), um simpático senhor, lê histórias para Allie (Gena Rowlands), uma senhora que sofre com problemas de memória. A história que ele narra se passou anos antes na bela cidade de Seabrook, na Carolina do Sul. Noah (Ryan Gosling) é um jovem que trabalha na madereira da cidade e que ao bater os olhos em Allie (Rachel McAdams) tem a certeza de que quer sair com aquela moça. Tanto é que comete até loucuras para atingir seu objetivo, como se pendurar na roda gigante do parque de diversões até a garota aceitar seu convite.

Allie é uma jovem rica, que passa férias na cidade antes de ir para a faculdade, em Nova York. Apesar de relutar no início, a garota acaba cedendo às investidas de Noah. E assim, o casal  vive um verão intenso, aproveitando cada momentos juntos. Apaixonados, eles acabam por esquecer a diferença de classe social entre eles. Até que os pais de Allie decidem acabar com o romance e a levam embora da cidade, cortando qualquer tipo de relação entre os dois. Anos depois, quando Allie está prestes a se casar com Lon Hammond (James Marsden) uma foto publicada em um jornal muda o destino de todos.


Achei bem interessante o respeito que Sparks e o diretor Nick Cassavetes, de "Alpha Dog" e "Uma Prova de Amor" tiveram com o público. Eles não fizeram questão de fazer mistério com o segredo da história, dando alguns indícios no decorrer do filme. Assim, evitaram aquela clássica reclamação do final óbvio demais, que desanima o espectador da metade do filme para frente.

Todos os outros filmes baseados nas obras de Nicholas Sparks chamam atenção pela fotografia. Afinal, suas histórias são sempre vividas em cidades pequenas. Mas, em "O Diário de uma Paixão" os cenários e a fotografia são inacreditáveis. Na mesma sequência podemos destacar duas cenas: a primeira, quando Noah leva Allie para andar de barco no lago próximo à casa dele e centenas de cisnes brancos cercam os dois. A segunda acontece quando eles retornam do passeio e começa a chover. Após uma breve discussão eles se beijam. Essa cena, aliás, além de estampar o cartaz e o DVD do filme, rendeu ao casal o prêmio de melhor beijo no MTV Awards. Na entrega do prêmio, o casal surpreendeu:


A química vista na comemoração do prêmio é o grande destaque do filme. Nada teria dado tão certo se isso não funcionasse. Ryan Gosling (de “Drive”) e Rachel McAdams conseguem captar a alma dos personagens desde os primeiros momentos do filme. Em algumas cenas é totalmente possível sentir o que eles sentem, apenas com uma troca de olhar. A química entre os dois parecia tão real, que era mesmo. Os dois começaram a namorara durante as filmagens. Ficaram juntos por três anos. Rachel McAdams, de “Meninas Malvadas”, se destaca um pouco mais. Até porque seu personagem tem aspectos um pouco mais profundos. 

James Garner e Gena Rowlands também merecem aplausos. O casal consegue manter o espírito da paixão adolescente de Allie e Noah, sem fazer com que fique forçado demais por causa da idade e das condições físicas dos dois. Uma curiosidade, aliás, é que Gena Rowlands é mãe do diretor do filme Nick Cassavetes. Ela foi casada com John Cassavetes, ator e cineasta americano, conhecido por seu papel em “O Bebê de Rosemary” e por suas produções que inovaram o cinema independente americano. Entre suas obras estão “Uma Mulher Sob Influência” e “Glória”. Ambas tiveram Rowlands como atriz principal e a primeira lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz do ano de 1974.


Pelo jeito, a arte de dirigir é hereditária. Nick Cassavetes conseguiu acertar em vários pontos com o “O Diário de uma Paixão”. O roteiro é bom, a fotografia dispensa comentários, a trilha sonora é impecável e, claro, ele soube escolher muito bem o seu elenco. A impressão que fica é que Cassavetes fez de tudo para que o público ficasse cada vez mais preso na narrativa e, claro, não conseguisse segurar as emoções no decorrer da história. O seu objetivo foi conquistado com êxito. É uma tarefa árdua assistir a “O Diário de uma Paixão” sem derrubar uma lágrima sequer.

Mas nada disso faria tanto sucesso se Nicholas Sparks não tivesse escrito uma de suas melhores histórias. Ele conseguiu construir uma história de amor quase impossível com todos os recursos que se costuma ver nessas histórias: idas e vindas, guerra, mortes e reconciliações. Além de toda essa fórmula, Sparks ainda consegue dar um final milagroso e espetacular, sem fazer com que todo esse enredo fique batido demais.


“O Diário de uma Paixão” é um presente para que Sparks pudesse dar vida aos seus tão elaborados personagens.

Aposto que nem ele conseguiu segurar as lágrimas no final do filme.
"O Diário de uma Paixão" é melhor Nicholas Sparks dos cinemas "O Diário de uma Paixão" é melhor Nicholas Sparks dos cinemas Reviewed by Mayara Munhoz on 19:29 Rating: 5

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