"Sete dias com Marilyn" mostra uma perturbada estrela querendo ser atriz


De repente, Norma Jeane se viu cercada por vários estudantes da prestigiada Universidade de Oxford, na Inglaterra, lhe pedindo autógrafos ou simplesmente querendo tocá-la. Norma olhou então para o jovem auxiliar de filmagem Colin Clark, que a acompanhava, e perguntou, direta: "devo ser ela?". Confuso, Clark a olhou e indagou: "Ela quem?" Norma, já preparando o sorriso perfeitamente calculado, nem respondeu antes de encarnar Marilyn e atender a todos com simpatia.

"Sete dias com Marilyn", em cartaz desde a sexta-feira, 27 de abril de 2012, não é um grande filme. Mas conta espisódios curiosos de uma grande história, como o relatado acima. A vida de Norma Jean Baker, a menina cheia de complexos e inseguranças, que veio a se tornar Marilyn Monroe, personificando um dos maiores símbolos sexuais de Hollywood, é melhor que o roteiro de qualquer filme estrelado pela loira.


Marilyn estava sempre atuando. Cada piscada, sorriso ou sussurro fazia parta de um bem elaborado papel vivido em tempo integral por Norma. Claro, uma vida assim cobra um preço de quem a leva. Marilyn era um poço de angústias, alguém que alternava momentos de euforia com depressões abismais, intensificadas pelo abuso de tranquilizantes e outras drogas, que viriam a matá-la, em 1962, aos 36 anos. E Michelle Williams teve o talento necessário para espelhar essa angústia em sua atuação.


Michelle, que é o que o longa oferece de melhor, inclusive, soube superar o fato de não ser tão bonita e sexy quanto Marilyn. Até porque, sejamos honestos, poucas pessoas o são. Não sei se foram problemas de agenda, orçamento ou apenas desinteresse da atriz. Mas o fato é que os produtores de "Sete Dias" perderem uma grande chance de colocar Scarlett Johansson, uma espécie de herdeira informal de Marilyn, neste papel. Procurada, Scarlett recusou a oferta .


"Sete Dias", conta a história real de Colin Clark (Eddie Redmayne), que deixou sua pequena cidade-natal, no interior da Inglaterra, para tentar a vida em Londres, na indústria cinematográfica. Clark teve a sorte de cair de para-quedas em uma produção comandada por Laurence Olivier (Kenneth Brannagh). Marilyn Monroe também estava no elenco. E foi justamente com ele que Marilyn, então recém-casada com o escritor Arthur Miller (Dougray Scott), decidiu se encantar por uma semana, durante as filmagens de "O Príncipe Encantado", em 1957.

"Sete Dias com Marilyn" poderia se beneficiar de mais agilidade na edição, que lhe conferisse um ritmo menos lento. O diretor Simon Curtis, mais conhecido por trabalhos na televisão, tinha um elenco em mãos para entregar um trabalho melhor. Contou, inclusive, com a participação de Judi Dench, como Sybil Thorndike, e de Emma Watson, a Hermione da franquia Harry Potter, segura em uma atuação pequena, mas importante - isso sem mencionar Julia Ormond, na pele da Vivien Leigh.


Indicado aos Oscar de melhor atriz e ator coadjuvante, para Brannagh, "Sete Dias" acabou ficando apenas com o Globo de Ouro para Michelle Willians. Os figurinos, indicados ao prêmio da categoria no BAFTA, mereciam ao menos a lembrança dos membros da Academia norte-americana. Bem como a boa fotografia em tons escuros, um bom artifício para retratar a obscura psique de Marilyn, que viria a morrer sete anos depois. Que como bem definiu Colin Clark em uma da melhores falas do filme, era uma estrela que queria ser uma grande atriz.
"Sete dias com Marilyn" mostra uma perturbada estrela querendo ser atriz "Sete dias com Marilyn" mostra uma perturbada estrela querendo ser atriz Reviewed by Diego Iwata Lima on 13:20 Rating: 5

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