"Um Amor para Recordar"

Quando "Um Amor para Recordar" chegou aos cinemas brasileiros, eu tinha acabado de completar 13 anos. Lembro bem da primeira vez que assisti ao filme e que, aos prantos, decidi que a partir daquele dia tinha encontrado o meu filme predileto. Logo depois, minha mãe teve a ótima ideia de comprar uma locadora, que ajudei a administrar. Nem preciso dizer que se o DVD do filme não fosse alugado durante o dia, eu o levava correndo para casa, para poder assistí-lo novamente.

Não tenho ideia de quantas vezes já assisti a "Um Amor para Recordar", baseado na obra homônima de Nicholas Sparks. Já li o livro umas cinco vezes, também. Na época do lançamento do filme, o escritor ainda não era muito conhecido no Brasil, o livro ainda não tinha sido lançado aqui, e poucas pessoas o conheciam. Hoje com os outros sucessos como "O Diário de uma Paixão", "A Última Música" e o mais recente "Um Homem de Sorte", Sparks voltou a ser lembrado por causa do romance adolescente de 2002.

A história é bem conhecida. London Carter (Shane West) é um garoto problema, que se envolve em uma confusão no colégio e, como punição, tem que participar da peça de teatro da primavera. Sua parceira de cena é a jovem Jamie Sullivan (Mandy Moore), filha do pastor da cidade, que não se mistura muito com os outros adolescentes do colégio. Com dificuldades para decorar suas falas, London pede ajuda de Jamie e os dois iniciam um relacionamento que choca a todos. No auge do romance, Jamie conta para London que tem leucemia e que não está mais respondendo aos tratamentos e pode morrer a qualquer momento.

Para muitos, "Um Amor para Recordar" é bobo e meloso demais. Já ouvi até comentários como "é aquele filme que tem a história estilo Malhação, né?". Sim, pode até ser. Mas para quem gosta de romances impossíveis e trágicos, na linha "Romeu e Julieta" - claro, sem a heresia de querer comparar Sparks e Shakespeare -, "Um Amor para Recordar" pode ser um prato cheio. O garoto rebelde que se apaixona pela filha do pastor que está com os dias contados e mesmo assim ele resolve ficar com ela. Você conhece algum adolescente do mundo real que faria isso?


Em 2002, Nicholas Sparks já chamava a atenção pelo exagero nos sentimentos dos seus personagens. A intensidade com que os casais se amam em seus romances é uma coisa de outro mundo. O livro foi inspirado na irmã de Sparks. Danielle Sparks teve câncer e mesmo sabendo que iria morrer iniciou um relacionamento amoroso e se casou. Ela faleceu em 2000, um ano depois da publicação do livro.

A trilha sonora do filme é uma das melhores coisas para quem gosta de pop meloso. Com várias músicas da Mandy Moore, que também canta em duas oportunidades no decorrer do longa, o romance conta com várias baladas românticas para “embalar” o casal apaixonado. Quem assistiu ao filme deve concordar que a melhor música é “Someday We'll Know”, da banda New Radicals. No longa, a música é cantada pela Mandy Moore e o cantor californiano Jon Foreman, da banda Switchfoot. O vídeo abaixo é um clipe do filme com a música ao fundo, para quem quiser relembrar:


É uma experiência bem divertida assistir a um filme produzido em 2002. É impressionante como o cinema evoluiu tecnicamente em tão pouco tempo. São 10 anos e possível perceber uma diferença drástica na qualidade do vídeo, da produção e até da fotografia. A maneira de se fazer cinema parecia ser totalmente outra naquela época. Hoje qualquer filme meia boca, com orçamento bem reduzido, consegue fazer um filme altamente superior a "Um Amor para Recordar" em questão de tecnologia. Por outro lado, é legal saber que naquele tempo era possível fazer um filme com poucos recursos e conquistar sucesso. Mesmo com algumas críticas negativas, o filme conseguiu arrecadar quatro vezes mais do que foi gasto para fazê-lo.

Outra coisa bem legal de se pensar quando assistimos a filmes antigos é o que aconteceu com os atores principais. Uma espécie de "Que fim levou?". Shane West, que na época era mais conhecido por seriados de televisão e por “Drácula 2000”, não se saiu muito bem no cinema. Depois do romance, recebeu um bom destaque em “A Liga Extraordinária”. Mas seu negócio era mesmo a televisão. Ele viveu por quase seis anos o Dr. Ray Barnett de “ER – Plantão Médico”. Atualmente é Michael na série da Warner, “Nikita”. Mandy Moore, que já era conhecida por ser cantora teen e por seu papel em “O Diário da Princesa”, teve mais sucesso. Seu rosto pode ser visto em outros filmes, como: “Meu Novo Amor”, “Tudo pela Fama” e “Licença para Casar”. Já sua voz foi emprestada para diversas animações. A última dublagem foi a da Rapunzel, do ótimo “Enrolados”.

O diretor do filme também pode entrar nesta sessão do "Que fim levou?". Adam Shankman, em 2002, era apenas conhecido pelo fraco "O Casamento dos Meus Sonhos". Depois do romance de Sparks, Adam se especializou em fazer comédias. E parece ter acertado. Ele esteve por trás das câmeras de: "A Casa Caiu", com Steve Martin e Queen Latifah; "Operação Babá", com Vin Diesel; "Doze  é demais 2", com Steve Martin e Eugene Levy; o ótimo "Hairspray", com John Travolta; e "Um Faz de Conta que Acontece", com Adam Sandler. 


Pesquisando sobre o filme hoje, li uma critica de 2003 que dizia que o romance iria agradar as adolescentes apaixonadas, mas que no futuro elas iriam morrer de vergonha ao se lembrar disso. Hoje estou casada e não sou mais uma adolescente. Para a decepção de quem escreveu essas palavras, ao assistir o filme pela 500ª vez me emocionei exatamente como se fosse a primeira vez.

Nicholas Sparks foi o responsável por mais da metade dos meus sonhos bobos de adolescente graças a “Um Amor para Recordar”. E quem não adoraria viver um romance com metade do amor e da intensidade de London e Jamie? 
"Um Amor para Recordar" "Um Amor para Recordar" Reviewed by Mayara Munhoz on 11:10 Rating: 5

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