"Querido John" é romance para encher os olhos (também de lágrimas)

Quando leio um livro de ficção, sempre fico me perguntando se o autor se inspirou em algo de sua vida para escrever a história. Penso isso porque sempre que começo a planejar escrever o meu primeiro livro, lembro de histórias reais que aconteceram comigo e que poderiam ser fatos interessantes na ficção.

Ao ler "Querido John", o sentimento não foi diferente. Por isso fiquei bem feliz ao descobrir que Nicholas Sparks e sua mulher Cathy Cote trocaram cartas por um tempo antes de se casarem - assim como acontece com os personagens da história, que se relacionam por meio de cartas enquanto estão longes um do outro. Por isso, o título do livro, que faz alusão ao início de uma carta.

John (Channing Tatum) é um soldado americano que está curtindo um breve recesso na casa de seu pai, no interior dos Estados Unidos, quando conhece Savannah (Amanda Seyfried). Os dois vivem duas semanas intensas, com todo o tipo de clichê romântico que envolve as histórias de Sparks, com direito até ao primeiro beijo sob chuva. No fim das férias, John precisa retornar para o Exército e Savannah para a faculdade. Na tentativa de ficarem mais próximos, eles prometem relatar tudo que acontece em suas vidas por meio de cartas um para o outro. E assim fazem durante os dois anos que se passam. Quando John está prestes a retornar de vez para a casa, acontece nada menos que o ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York - o notório atentado de 11 de setembro de 2001. Os Estados Unidos de George W. Bush declaram então guerra contra o Iraque. John renova seu período de alistamento militar e "graças" ao atentado terrorista, sua relação com Savannah toma um rumo complicado e inesperado.



Como na maioria dos filmes baseados em livros, a história no papel é melhor. Neste caso, não só por causa da riqueza de detalhes que apenas um livro é capaz de proporcionar, mas por causa das cartas. No livro, você pode acompanhar na íntegra todas as cartas que o casal troca nos quase sete anos separados. Já no filme, apenas os trechos fundamentais são relatados.

"Querido John", como já citado acima, é baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks, que mais uma vez alcança seu objetivo de emocionar o público com histórias de amores incríveis. A direção é de Lasse Hallström (do ótimo "Sempre ao Seu Lado" e "Regras da Vida"). E ele parece mesmo saber como fazer quem assiste aos seus filmes chorar. Mesmo com os clichês e as cenas que todos os filmes românticos possuem, ele conseguiu colocar um algo mais em "Querido John" e transformá-lo em um bom filme.


Além de um bom escritor e de um bom diretor, o filme ainda tem como fator positivo as atuações de Channing Tatum (dos atuais "Anjos da Lei" e "Para Sempre") e Amanda Seyfried (de "Meninas Malvadas" e "Mamma Mia!"). O casal tinha química e conseguiu passar a emoção necessária que a história de amor dos dois exigia. Tatum, que na época ainda não tinha conquistado o espaço no cinema que tem hoje, é perfeito para John. Ele consegue equilibrar seus dois lados: o cara fechado que tem problemas de relacionamento com o pai autista, e o homem que se apaixona por Savannah. Um romântico incurável.

Já sobre a atuação de Amanda, sou até meio suspeita para comentar. Sou grande fã do trabalho dela e acho que ela é ainda tem seu talento pouco valorizado. No mesmo ano, a atriz também atuou em "Cartas para Julieta" e me surpreendeu muito positivamente. Como Savannah, ela também não deixou a desejar em nada. Como retribuição pela boa atuação, o casal foi indicado nas categorias melhor ator e melhor atriz no MTV Movie Awards. Mas perderam para o casal da série "Crepúsculo", Kristen Stewart e Robert Pattinson.


Entretanto, no critério atuação, quem realmente merece aplausos é Richard Jenkins (de "Queime Depois de Ler" e "O Visitante"), que interpreta o pai de John, Sr. Tyree. Seu personagem é uma grata surpresa para o público. Se no início ele passa a impressão de um senhor de idade, distante, que não fará muita diferença na história, no final, estamos completamente envolvidos com a paixão dele por moedas e por John. É tocante a maneira como ele tenta ser um bom pai, mesmo sofrendo com o autismo e vivendo em seu mundo particular.

Ainda sobre os atores, apenas uma curiosidade: o amigo de Savannah, Tim, é interpretado por Henry Thomas. Hoje, com 40 anos, muitos talvez não liguem o nome à pessoa. Mas acreditem ele é Elliott, o garotinho que ficou famoso pelo clássico "E.T", em 1982. O tempo passou e é quase impossível reconhecer em Tim algum traço de Elliott, mas vale a boa lembrança.


"Querido John" é um filme feito da maneira correta, e que pode agradar tanto os homens como as mulheres. Os homens, que na maioria das vezes não são fãs de filmes românticos, podem gostar das cenas de guerra bem feitinhas. Já para as mulheres, Nicholas Sparks sabe como tocar os corações, fazendo com que litros de lágrimas sejam impossíveis de se conter.

Além de tudo isso, o filme também propõe, sem querer, um exercício interessante, por ser um dos poucos romances que usam o episódio 11 de setembro como pano de fundo. Tente se lembrar do que você estava fazendo, e com quem, quando os aviões atingiram as Torres Gêmeas. Você consegue?
"Querido John" é romance para encher os olhos (também de lágrimas) "Querido John" é romance para encher os olhos (também de lágrimas) Reviewed by Mayara Munhoz on 10:53 Rating: 5

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