“A Era do Gelo 4” perde o encanto e mostra que diretor brasileiro fez falta

Tenho quase 23 anos de idade e se você me questionar sobre qual é o meu gênero preferido de filmes vou ficar na dúvida entre romance e animação. Os desenhos sempre me cativaram de uma maneira inexplicável, acredito que é porque eles atingem no meu lado criança que ainda não deixou de existir por completo - e que, espero, nunca deixe.

Em questão de animações, “A Era do Gelo” sempre esteve no meu Top 5. Muito por causa do Sid, que só de respirar já me faz rir descontroladamente. Por isso, quando entrei na sala do cinema para assistir ao quarto filme da série estava bem empolgada. Os primeiros minutos de filme me animaram, mas não demorou muito para o sentimento de decepção tomar conta de mim. A sensação era de que faltava algo.

No quarto filme, Sid, Manny, Diego e a vó maluca de Sid, aparecida do nada, vivem uma aventura em alto mar. Tudo começa com o famoso esquilo Scrat, claro. Ele deixa sua noz cair no núcleo central da Terra e interfere no funcionamento do planeta. Ele causa um deslocamento de terra que inicia a criação dos continentes como conhecemos hoje. Durante essa separação, o quarteto se separa de Ellie e Amora, esposa e filha de Manny, e se perde no mar aberto.

Decididos a reencontrar seus amigos e família, Sid, Manny, Diego e a vó precisam descobrir um maneira de voltar para o continente. Nesse meio tempo, eles se deparam com um navio pirata comandado pelo macaco Entranha e com uma tripulação bizarra que tem entre eles, Shira, uma tigresa das neves, e Flynn, um leão-
marinho gordo e babaca.

O roteiro é bom e você, com certeza, deve estar se perguntando o porque eu me decepcionei com o longa. Por mais clichê que essa justificativa possa parecer, a verdade é que o filme ficou “mais do mesmo”. O roteiro, comparado aos primeiros filmes, perdeu a originalidade e não me surpreendeu. Mesmo com personagens novos, como a vó maluca de Sid que é disparado o ponto alto da animação, não consegui deixar a sala do cinema com a sensação de dever cumprido.



Acredito em dois motivos que possam justificar essa falha. O primeiro é a ausência de Carlos Saldanha (“Rio"). O diretor brasileiro foi responsável pelos três primeiros filme e não participou da produção deste. Saldanha deu lugar a Steve Martino (“Horton e o Mundo dos Quem”) e Mike Thumeier, que fez parte de a “Era do Gelo 3”. Pode ser apenas coincidência. Não posso afirmar que a mudança de um diretor altere tanto no resultado de um filme. Mas, esse longa é o mais fraco dos quatro filme, pelo menos no que diz respeito a humor e originalidade.


O segundo motivo é uma opinião pessoal, mas que é comprovada em diversos outros filmes. Eu tenho um problema com franquias longas. Com exceção de casos como “Harry Potter” e “Crepúsculo” que são histórias baseadas em livros e, por isso, necessitam de continuação, não sou fã de sequências. Em alguns casos, falta a percepção dos produtores em saber quando é a hora certa de encerrar o ciclo. Em exemplos como “American Pie”, “Pânico”, “Shrek” e “Jogos Mortais”, percebemos melhor isso. Os primeiros filmes são boas histórias, criativas e que seguram o público em frente à televisão. Do quarto para frente, os roteiros começam a ficar batidos e os temas repetitivos resultando em finais previsíveis. “Madagascar 3”, que será publicado em breve aqui no blog, tem tudo para ser um bom exemplo de saber a hora que se deve parar. Pelo que se vê no final do longa, o terceiro filme será o último da série de aventuras do quarteto do zoológico de Nova York.

Se tem uma parte que não deixou a desejar em nada para as três primeiras produções é a tecnológica. Os produtores encontram a medida certa, principalmente com o 3D. Os animais parecem cada vez mais reais e os cenários também. Aliás, no novo shopping de São Paulo, o JK, há uma sala com a tecnologia 4D e o filme estreou por lá também. Li relatos de pessoas que vivenciaram a experiência e dizem que é sensacional - principalmente nas partes envolvendo o mar e as movimentações continentais.


“A Era do Gelo”, contudo, é um filme que vale a pena se assistir. Principalmente para as crianças que não se preocupam com detalhes como inovações ou sequências fracas. Para elas, lá na telona, estão Sid, Manny e Diego em mais uma aventura que as farão rir e se divertir durante uma hora e meia. Para os pais, é uma boa pedida para as férias de julho. Afinal, hoje em dia, a criançada prefere coisas mais tecnológicas a jogar bola ou empinar pipa.

Além disso, mesmo com uma história batida, é sempre válido relembrar os valores de uma amizade verdadeira e a importância da união de uma família. Ainda mais se esses valores são passados de maneira divertida por uma preguiça, um tigre e um mamute falantes.

Sem a mesma graça dos três primeiros filmes, “A Era do Gelo 4” garante momentos agradáveis. A comprovação disso são os números alcançados pelo longa na última semana. Até a metade do mês, com apenas 17 dias em cartaz, a animação já tinha sido vista por mais de 5 milhões de pessoas no Brasil. Com uma bilheteria acumulada em R$ 58 milhões, o filme alcançou a segunda posição no ranking de maior filme do ano.


Com esses números, é bem provável que teremos pela frente o quinto filme da franquia. Só resta torcer para que os produtores consigam encontrar novamente o caminho do humor e da criatividade que parece ter se perdido um pouco neste quarto filme. O curioso é que, mesmo com tudo que disse ali em cima, eu pararia para assisti-lo novamente se passasse na televisão.

Observação importante: Se forem ao cinema, não cheguem atrasado. Antes do filme, tem um curta do “Simpsons” com a Maggie sensacional. Vale a pena chegar mais cedo.
“A Era do Gelo 4” perde o encanto e mostra que diretor brasileiro fez falta “A Era do Gelo 4” perde o encanto e mostra que diretor brasileiro fez falta Reviewed by Mayara Munhoz on 19:44 Rating: 5

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