"Lola" traz uma Miley Cyrus mais real e uma Demi Moore decadente

No final da crítica de "Hannah Montana - O Filme" eu questionei se Miley Cyrus ainda se lembrava como era ser ela e não a Miley Stewart. E não é que ela me respondeu? No longa "Lola", que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (10), Miley interpreta uma adolescente que combina muito mais com que vemos estampado nos tabloides americanos, do que com a garota do interior que virou uma cantora famosa em Hannah Montana.

Essa é a segunda tentativa de Miley se desvincular da personagem da Disney. Felizmente para ela, desta vez, ela se saiu bem melhor do que em "A Última Música". O curioso é que os fatos se inverteram. Se no romance de Sparks, Miley falha na atuação mas o roteiro salva o filme, em "Lola" o problema é justamente o roteiro.

No filme, Miley Cyrus é Lola. Uma adolescente de 15 anos que, ao retornar das férias escolares, já tem vários planos para seu ano letivo. Ela quer curtir os amigos e aproveitar ao máximo seu namorado Chad (George Finn). O que ela não esperava era uma reviravolta em seu mundo. Lola descobre que foi traída durante as férias, que sua mãe está saindo às escondidas com seu pai e que tem fortes sentimentos pelo seu melhor amigo Kyle (Douglas Booth). Com ajuda da sua melhor amiga Emily (Ashley Hinshaw), ela tentará passar por todas as dificuldades de uma adolescente de 15 anos. Além disso, Lola precisa encontrar uma maneira de se entender com sua mãe Anne (Demi Moore).



"Lola" é um caso raro onde o nome do filme traduzido fez mais sentido do que o original. "Lol", nome verdadeiro, é uma gíria usada na internet para morrendo de rir. No Brasil, ficou "Lola" mesmo, que é o nome da personagem principal. Combinou muito mais, já que o filme não arranca muitas risadas do espectador e é mais voltado para um drama. O que surpreende é que essa tradução já foi feita no mesmo sentindo mais de uma vez. "Lola" é uma refilmagem de um filme francês de 2008 que, na época, recebeu aqui no Brasil o nome de "Rindo à Toa". Não tive a oportunidade de assistir ao primeiro filme, mas espero que ele se encaixe mais no nome escolhido.


Mas voltando ao longa, é uma pena que o roteiro se perca em tantos momentos. A história não tem nenhuma novidade e acaba recorrendo a vários clichês já vistos em tantos outros filmes adolescentes. Em alguns momentos, o filme acaba ficando até meio sonolento e parado demais. O elenco também não conta como fator positivo. Com apenas um grande nome do cinema mundial, o espectador sente falta de atuações mais confiantes. 

Confiança essa que nem Demi Moore conseguiu passar. A atriz conhecida por seu inesquecível papel em "Ghost" não parece ter se encontrado para viver Anne. Nem nas cenas com o bonito policial James (Jay Hernandez), Demi empolga. Isso é até de certa maneira um pouco triste. Para quem assisti ao filme, fica a dúvida se estamos presenciando o fim da carreira de Demi Moore. Será que ela ainda consegue atuar de maneira espetacular como em "Até o Limite da Honra"? Espero que sim. Além de Demi, Ashley Greene, a Alice da saga "Crepúsculo", interpreta a típica adolescente linda de morrer, mas que não sabe se valorizar e acaba ficando mal falada demais.


Para a sorte de Miley, ela é o que o filme tem de melhor. Isso porque ela não parece ter encontrado dificuldades para interpretar uma adolescente rebelde, algo que se parece muito mais com ela. Como premiação pelo bom trabalho, a cantora foi indicada como melhor atriz na categoria romance, no Teen Choice Awards.

"Lola" é um típico filme de sessão da tarde. Foi um fracasso de bilheteria nos Estados Unidos o que fez com que a distribuidora Imagem Filmes remarcasse mais de uma vez a data de estreia aqui no circuito brasileiro. Entretanto, nem tudo pode estar perdido se você também foi uma adolescente com problemas com sua mãe. O fato de eu ter conseguido me identificar com Lola e Anne em várias partes fez com que "Lola" não fosse um total desperdício de tempo.


Além da coincidência na maneira como Anne descobre que sua filha perdeu a virgindade, também demorei um tempo - e várias brigas - para me dar conta de que minha mãe era a melhor amiga que eu poderia ter. Nós não éramos tão diferentes como eu pensava ser. E no final das contas, sempre descobrimos que não importa qual a situação, as mães sempre estão certas.


"Lola" traz uma Miley Cyrus mais real e uma Demi Moore decadente "Lola" traz uma Miley Cyrus mais real e uma Demi Moore decadente Reviewed by Mayara Munhoz on 17:09 Rating: 5

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