De Woody Allen, "Para Roma com Amor" é gostoso de se assistir. E isso basta

Já faz um bom tempo que assisti a "Para Roma, com Amor". Para ser mais preciso, estive no cinema na sexta feira da estreia dele, em 29 de junho. Mas demorei para escrever. Porque lembro de ter saído um pouco empolgado demais da sessão. Achei melhor dar uma segurada na euforia antes de me sentar em frente ao computador. Woody Allen me causa um tipo de alegria cinematográfica que nem sempre fica bem em forma de texto. Dá para conferir um pouco disso na crítica de "Meia-noite em Paris".

A capital da Itália é daquelas cidades que todos sentimos conhecer inconscientemente. Se a Grécia é o berço da civilização ocidental, Roma é o colegial onde a humanidade moderna passou sua adolescência, praticou orgias, colocou leões para devorar cristãos, matou, morreu, tomou porres, inventou o Direito como disciplina e solidificou a Igreja Católica, entre outras atrocidades (Calma, calma... tudo em nome da piada). Um lugar onde não faltam histórias. E talvez isso tenha inspirado a forma do mais recente filme de Woody Allen.

O nova-iorquino, em turnê pelo mundo, desembarcou na Itália com um hábito antigo retomado. O modelo de filme com tramas paralelas apareceu bem em "Tudo que você sempre quis saber sobre sexo e tinha medo de perguntar" - com mais nonsense, vale dizer - e outros filmes, mas não foi usado recorrentemente por Allen. Com um elenco de primeira, compromissado com a proposta de leveza que o filme precisaria ter para dar certo, mais algumas doses de pastelão, o resultado é muito bom. Não há porque se procurar um termo mais técnico para dizer que o filme é, acima de tudo, engraçado e muito gostoso de se assistir. E isto é o que mais interessa.


Allen fez uma convocação caprichada para este elenco. De Alec Baldwin a Roberto Benigni, passando por jovens talentos como Jesse Eisenberg, Alyson Pill, Ellen Page e boas participações de Penélope Cruz e do próprio diretor, com todos os seus maneirismos judaico-depressivos. Há também talentosos atores italianos, como a encantadora Alessandra Mastronardi e Alessandro Tiberi, marido e mulher no filme. Algumas figuras carimbadas do cinema italiano também aparecem, como Ornela Mutti.

Nas cinco histórias que acontecem na mesma cidade, quase sem se cruzar, Allen visita alguns estereótipos italianos clássicos, como a gostosona voluptuosa, a italianinha inocente do campo, o velhaco conquistador barato e o cidadão comum com talento para tenor. Ao mesmo tempo, traz também personagens mais atuais, como o casal de estudantes namorados dos Estados Unidos que divide um apartamento na cidade. É como se o diretor quisesse mostrar que Roma tem tudo que há de moderno, mas com o pé orgulhosamente atrelado a algumas tradições.


O filme fala um pouco sobre traição. Milly (Alessandra Matronardi) e Antonio (Alessandro Tiberi) colocam-se frente a frente com tentações. Assim como Jack (Jesse Eisenberg) e Monica (Ellen Page). Mas também fala sobre a fama, no arco em que Leopoldo (Benigni), sem qualquer motivo, torna-se uma celebridade - aqui, Allen, inclusive, parece estar fazendo as pazes com a própria fama. A maneira mais fácil de se tentar explicar a temática é dizer que trata-se de um filme sobre pessoas. E pessoas se colocam em situações variadas. Como uma espécie de ombudsman informal da humanidade, Allen sabe como poucos observar alguns aspectos comportamentais, transformá-los em roteiros e nos fazer rir de como somos bizarros quando olhados bem de perto.


"Para Roma, com Amor" é um filme despretensioso, para fazer o espectador se encostar na cadeira e deixar os olhos acompanharem livremente o que acontece na tela. Deixar-se cair para o lado de dentro da história e experimentar as sensações daqueles personagens em situações estapafúrdias, ainda que palpáveis em alguns momentos. E com a cidade eterna como moldura.
De Woody Allen, "Para Roma com Amor" é gostoso de se assistir. E isso basta De Woody Allen, "Para Roma com Amor" é gostoso de se assistir. E isso basta Reviewed by Diego Iwata Lima on 13:00 Rating: 5

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei!
Todo muito falou/ fala desse filme olhando apenas para o histórico "genial" do Woody Allen, como se ele já tivesse perdido a mão, e tals.
Gostei muito do que acabei de ler!
Fui numa pré-estreia que tinha uma galera que nunca tinha ouvido falar "daquele velhinho com medo de avião". TODO MUNDO se divertiu e saiu elogiando.
É realmente gostoso de assistir. Também me bastou! <3

Marcela

Tecnologia do Blogger.