Chorar em um filme com robôs que lutam? "Gigantes de Aço" mostra que é possível

No último domingo, estava passeando pelos canais da minha televisão, quando me deparei com a estreia de “Gigantes de Aço” (Real Steel), no canal Telecine Premium. O filme, que chegou ao Brasil em outubro do ano passado, sempre despertou minha curiosidade, mas acabei deixando passar a oportunidade de vê-lo no cinema. Depois do que vi na TV, me arrependi de não tê-lo visto na telona.

 A história acontece em 2020, quando o esporte mais popular do planeta é o boxe de robôs. Charlie Kenton (Hugh Jackman) é um ex-boxeador que ganha a vida disputando lutas da modalidade. Porém, seus negócios não vão muito bem e ele está devendo a várias pessoas. Após perder mais um de seus robôs, ele recebe a notícia de que sua ex-namorada faleceu, deixando o filho deles Max (Dakota Goyo), de 11 anos, sozinho. Charlie decide dar a guarda do filho para a tia do menino (Hope Davis) mas, por dinheiro, aceita ficar com o menino durante a viagem de férias de verão dos tios. 

A premissa é comum. Pai que não vê o filho há anos, tem a chance de se aproximar da criança, mesmo contra a vontade, e acaba desenvolvendo uma relação amorosa. Mas, o grande diferencial do filme é a paixão de Max pelos robôs e pelas lutas. Isso faz com que ele queira, de imediato, viajar com o pai para encarar os ringues clandestinos em busca de dinheiro. Com a ajuda de Bailey Tallet (Evangeline Lilly, a Kate, de "Lost"), filha do ex-treinador de Charlie, a dupla vai transformar um robô sparring, encontrado em um ferro velho, em um vencedor.


O entrosamento entre Jackman (o Wolverine, de “X-Men”) e Dakota Goyo (que viveu o personagem principal de “Thor” quando criança) é prazeroso de se ver. Mesmo nos primeiros momentos, quando eles ainda estão se desentendendo, os dois encontram o tom correto das suas atuações. Dakota se destaca mais por ser criança, claro. Mas Jackman consegue fazer a transição de canalha aproveitador para um pai carinhoso e compreensivo de maneira bem sutil e convincente.


O filme foi dirigido por Shawn Levy (dos dois “Uma Noite no Museu”). O diretor surpreendeu, mostrando que pode sair da linha de comédia família - sem contar o bom uso dos efeitos especiais, que lhe renderam uma indicação ao Oscar em 2012. O filme não ganhou, mas perdeu para o belíssimo “A invenção de Hugo Cabret”, que em matéria de efeitos especiais, é perfeito. Os detalhes dos robôs, como o óleo verde que escorre como se fosse sangue, dão um toque real à história, fazendo com que o público acredite que aquilo pode ser possível.

Mas uma coisa não me agradou na história. Como um garoto de 11 anos perde a mãe, vai morar com o pai que ele nunca conheceu e simplesmente não demonstra estar sofrendo pela situação inesperada? Não senti em nenhum momento um toque de tristeza nas falas, ações e olhares de Max, em relação à mãe - apenas uma rápida conversa no final do filme. A criança parecia estar conformada rápido demais...


Fora isso, “Gigantes de Aço” é um filme emocionante e envolvente, que com certeza vai arrancar lágrimas discretas de seus olhos. Para quem curte boxe, também é uma ótima indicação. Os socos e golpes realizados pelos robôs são bem reais e passam a mesma (ou quase) emoção de uma luta com dois homens.

“Gigantes de Aço” é completo: tem ação, aventura, comédia e drama. É para todos os tipos de pessoas.

Chorar em um filme com robôs que lutam? "Gigantes de Aço" mostra que é possível Chorar em um filme com robôs que lutam? "Gigantes de Aço" mostra que é possível Reviewed by Mayara Munhoz on 13:10 Rating: 5

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