"Enrolados" dá roupagem moderna para a Rapunzel e a própria Disney

Tenho um pouco de dificuldade para escrever sobre animações. Por isso, por enquanto, só temos as críticas de "A Era do Gelo 4" e "O Lorax" aqui no blog. Gosto muito de animações e tenho o receio de não conseguir avaliá-las da maneira correta, por ser tão admiradora do gênero. Mas, tentarei de novo, com uma das minhas animações preferidas, a qual eu já assisti pelo menos dez vezes nos últimos dois anos: "Enrolados" ("Tangled").

A releitura do clássico da Rapunzel feita pelos estúdios Disney foi o 50º filme de animação do estúdio. E não decepcionou os produtores. Apesar da demora para ser produzido (começou em 2005 e ficou pronto em 2010) e dos altos custos (total de US$ 260 milhões), a Disney considera "Enrolados" um dos melhores desenhos de sua história. O principal desafio encarado pelos diretores Nathan Greno e Byron Howard era reconectar o público com os clássicos Disney, principalmente, o público masculino, que não ficara satisfeito com a última animação de princesas lançada pela empresa, "A Princesa e o Sapo". Esse é o motivo que fez com que o título do longa ganhasse o nome de "Enrolados", e não o clássico Rapunzel.

A história é inspirada no conto dos Irmãos Grimm, mas foge um pouco do tom dramático que já vimos em outras releituras. Rapunzel (voz da Mandy Moore, de "Um Amor Para Recordar") é sequestrada quando bebê e presa em uma torre por uma bruxa malvada que precisa do poder do seu cabelo mágico para se manter jovem. Na véspera do seu aniversário de 18 anos, o jovem ladrão Flynn Rider (voz de Zachary Levi, da série "Chuck") invade a torre da princesa fugindo dos guardas. Aproveitando a ausência da madrasta, o jovem leva a princesa para fora da torre para conhecer o reino que ela sempre sonhou. A partir daí começa uma aventura com muito humor, música e, claro, uma história de amor.


O primeiro fator que demonstra essa necessidade de se conectar mais ao público masculino é a escolha de um anti-herói para ser o salvador da princesa. Ao contrário dos príncipes da maioria dos clássicos, Flynn é ladrão, mente para princesa e tem uma malandragem que foge do convencional. É ele o narrador da história, o que tira, quase por completo, o papel de personagem principal da Rapunzel. O longa é sobre Flynn e Rapunzel, não apenas sobre a princesa. Ela também não é a personagem comum das histórias da Disney. Não é indefesa. Pelo contrário, defende-se muito bem com a ajuda de uma frigideira e não tem medo de encarar um bando de vilões em um bar sombrio.


Com uma preparação de seis anos, o mais óbvio é que "Enrolados" surpreende em questões de tecnologia. Fica claro o trabalho que a equipe de criação teve em todos os detalhes, como as expressões faciais perfeitas dos personagens. O tratamento das imagens, feitas com a tecnologia CGI (inspirada em pinturas a óleo sobre tela) se encaixou bem tanto no 2D quanto no 3D. A percepção de todo esse trabalho cuidadoso pode ser vista no cabelo mágico de Rapunzel, por exemplo. A animação digital ganha destaque em uma cena que já é considerada uma das mais belas das animações da Disney, sendo comparada até a clássica do baile de "A Bela e a Fera": o momento em que lanternas voadoras sobem ao céu.

Rapunzel e Flynn não são os únicos personagens que merecem ser citados aqui. Os secundários também conquistam o público quase de imediato. Como a iguana de estimação da princesa e o cavalo real que trava uma briga com Flynn do início ao fim. Eles são responsáveis pela maioria das risadas que dei durante os 92 minutos do longa. Mas, se me permitem dizer, eu tenho uma cena favorita - e não atrapalha em nada, para quem ainda não assistiu ao filme, eu contá-la. Logo que a Rapunzel deixa a torre acompanhada de Flynn ela tem uma crise existencial por estar mentindo para a mãe e fazendo algo considerado rebelde. A excitação da garota, as dúvidas e as caras de Flynn enquanto ela tem o ataque, são impagáveis.


O trabalho da Disney e dos diretores foi compensado. "Enrolados" foi indicado ao Oscar por Melhor Canção Original, pela música "I See the Light". A mesma música venceu o Grammy Awards e foi indicada ao Globo de Ouro. No Globo de Ouro, o filme ainda foi indicado como Melhor Filme de Animação. Talvez o motivo que tenha feito com que a trilha sonora tenha feito tanto sucesso seja Alan Merken. O responsável por tantos clássicos como "A Bela e a Fera" e "A Pequena Sereia", também assina a trilha sonora de "Enrolados".

Eu não sou a única a gostar bastante da animação. Para a surpresa de muitos, principalmente minha, descobri que o diretor Quentin Tarantino (vencedor do Oscar por "Pulp Fiction" e indicado por "Bastardos Inglórios") classificou "Enrolados" como um dos seus cinco filmes prediletos de 2010. Deve ser uma honra estar nessa lista, ainda mais para um cara que não parece gostar muito de coisas bonitinhas. Mas como nada é perfeito nesse mundo, a animação tem sim um ponto negativo - pelo menos para os brasileiros. A dublagem de Flynn foi feita pelo apresentador Luciano Huck e não ficou boa. Além do sotaque carioca muito carregado e o excesso de malandragem, é difícil olhar para Flynn e não pensar no apresentador logo de imediato. Por outro lado, uma coisa fez sentido: assim como Huck, Flynn também tem um nariz bem avantajado.


O que vale mesmo dizer sobre "Enrolados" é que ele é um ótimo filme para toda a família - para os meninos e meninas. Ele consegue encontrar o equilíbrio entre tudo que é bom nesse tipo de animação: aventura, amor, humor, ação e ótimos personageNbns.
"Enrolados" dá roupagem moderna para a Rapunzel e a própria Disney "Enrolados" dá roupagem moderna para a Rapunzel e a própria Disney Reviewed by Mayara Munhoz on 14:53 Rating: 5

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