Em "O Exótico Hotel Marigold", velhice não é desculpa para desistência

Há filmes que terminam deixando espectador feliz, com aquele sorriso bobo e uma vontade incontrolável de ser uma pessoa melhor. Estes filmes são conhecidos como "fell good movies" (algo como "filmes para se sentir bem"). Sem pensar muito, posso citar três filmes que se encaixam neste perfil: "O fabuloso destino de Amélie Poulain", "Intocáveis" e "Julie & Julia". Recentemente assisti a "O Exótico Hotel Marigold", mais um que pode ser incluído facilmente nessa lista.

Dirigido pelo britânico John Madden (vencedor do Oscar por "Shakespeare Apaixonado", que levou sete estatuetas em 1999), o longa se destaca pelo elenco premiado e experiente. A história, baseada no livro "These Foolish Things", de Debora Moggach, exigia um elenco experiente. E Madden soube escolher bem os donos para cada papel.

Com grandes nomes do cinema britânico, "O Exótico Hotel Marigold" - que chegou aos cinemas brasileiros em maio de 2012 - conta a história de sete aposentados que decidem passar um período na Índia,  por motivos diferentes, em um hotel de luxo - ou assim eles acreditavam. Chegando ao local, eles descobrem que foram enganados e que o hotel, na verdade, não tem nada de muito luxuoso. Ao contrário, está caindo aos pedaços. Mas, acreditando no jovem proprietário Sonny (Dev Patel, do vencedor de oito Oscar, "Quem Quer Ser um Milionário?"), a turma resolve dar uma chance à Índia e conhecer as maravilhas que aquele mundo pode proporcionar para um grupo da terceira idade.


O principal nome do elenco é a Dama do Império Britânico Judi Dench. Judi já havia trabalhado com Madden em "Shakespeare", que lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Em "Marigold" ela é Evelyn, uma senhora que acaba de ficar viúva e precisa vender seu apartamento para sanar todas as dívidas que o marido deixou. Para não ser obrigada a viver com o filho, Evelyn decide se arriscar nessa viagem para a Índia.


Ao lado dela estão: Muriel (a também Dama Maggie Smith, com seis indicações por melhor atriz ao Oscar e duas vitórias por "California Suite" e "A Primavera de uma Solteirona"), uma senhora preconceituosa que necessita de uma cirurgia no quadril de emergência que só é feita na Índia; Graham (Tom Wilkinson, indicado ao Oscar por "Conduta de Risco" e "Entre Quatro Paredes"), um advogado aposentado que esconde há décadas uma história de amor impossível na Índia; o casal Jean (Penelope Wilton, de "Orgulho e Preconceito") e Douglas (Bill Nighy, de "Operação Valquíria" e "Piratas do Caribe: O Baú da Morte"), que convive com o desgaste de uma relação de anos; Madge (Celia Imrie, de "O Diário de Bridget Jones") e Norman (Ronald Pickup, de "Lolita"), duas pessoas que, apesar da idade, ainda não desistiram de encontrar um novo amor - ou uma nova transa, que seja.

Cada personagem tem a sua experiência de vida e sua personalidade. Esta mistura de diferentes mundos e pessoas é o que faz com que "O Exótico Hotel Marigold" seja um filme tão agradável de se assistir. Dev Patel também faz a sua contribuição ao filme, com uma atuação cômica e irretocável. Além de tentar salvar o hotel, ele precisa lidar com a mãe (Lillete Dubey, de "Feira das Vaidades") que não aprova a insistência do filho e nem o relacionamento dele com a jovem Sunaina (Tena Desae).


O roteiro de Ol Parker surpreende. E Madden alterna corretamente o tom entre o drama e humor, com  diálogos inteligentes adequados aos personagens e à história. Além de tudo isso, o filme ainda possibilita conhecer um pouco melhor uma parte diferente da Índia do que estamos acostumados a ver em outros filmes. O lado não muito bonito, que também aparece em "Quem quer ser um milionário?", volta a dar as caras.

"O Exótico Hotel Marigold" encanta com a mensagem de que ficar velho não necessariamente quer dizer que sua vida está chegando ao fim, e que esperar, ou desistir, é tudo o que resta. Ficar velho ainda pode ser uma maneira de encontrar novas e inesperadas situações para se querer viver sempre mais.
Em "O Exótico Hotel Marigold", velhice não é desculpa para desistência Em "O Exótico Hotel Marigold", velhice não é desculpa para desistência Reviewed by Mayara Munhoz on 10:42 Rating: 5

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