"Entre o Amor e a Paixão" fala sobre a importância de se dar uma chance

Sempre gostei muito de filmes - inclusive fui proprietária de uma locadora por muitos anos. Por muito tempo, porém, só consumia os grandes sucessos de Hollywood. Isso mudou quando conheci o meu parceiro de blog Diego. Comecei a expandir o meu leque de conhecimento cinematográfico. No ano passado, tentei assistir ao meu primeiro filme na Mostra de Cinema de São Paulo. Mas, por incompatibilidade de horários, não consegui. Neste ano, fiz minha grande estreia e, mesmo trabalhando, consegui assistir a três.

Um deles foi "Entre o Amor e a Paixão" (Take This Waltz), com Michelle Williams e Seth Rogen. Você deve estar pensando que escolhi justamente um filme com a cara hollywoodiana. Mas, apesar dos atores conhecidos nesse universo, ele foge bastante do estereótipo. Não é uma comédia romântica comum. É uma história envolvente, um tanto parada, que pode não agradar algumas pessoas, mas que merece destaque em um meio repleto de clichês e de superficialidade.

Margot (Michelle Williams, do ótimo “Sete Dias com Marilyn”) é uma escritora que, em uma de suas viagens a trabalho, conhece Daniel (Luke Kirby, de “Mambo Italiano”), um jovem engraçado e sedutor. Os dois trocam flertes e se conhecem melhor durante o voo. E para a surpresa de Margot, ela descobre que Daniel é seu novo vizinho. O que poderia ser uma boa notícia se transforma em uma péssima, já que – apesar de não ter citado em nenhum momento do breve convívio com Daniel – Margot é casada. Em casa, seu marido Lou (Seth Rogen, de “Superbad – É hoje” e “50%”) a espera. Ele também é escritor e, no momento, dedica-se ao seu livro sobre receitas com frango. Margot se vê dividida entre o casamento estável e uma paixão avassaladora.

Parece clichê, mas “Entre o Amor e a Paixão” é a prova de que uma boa direção pode transformar uma história batida em algo inédito. A responsável por isso é Sarah Polley, indicada ao Oscar em 2008 por melhor roteiro adaptado por “Longe Dela”. Ela conseguiu passar por meio do filme o verdadeiro significado de “um olhar vale mais que mil palavras”. Em muitas cenas, apenas as trocas de olhares, de gestos e sorrisos já são mais que suficientes para o público se envolver com o drama. Polley tentou passar para quem assistiu ao filme que a verdadeira felicidade de um casal, às vezes, está nas sutilezas.


Margot e Lou são perfeitos um para o outro. Engraçados, se completam e se amam. Mas, com o passar do tempo, você começa a perceber que algo está errado entre eles. No aniversário de casamento, os dois estão jantando e passam minutos sem se olharem, só comendo e sem falar uma palavra. Ao ser questionado sobre como estava por Margot, Lou é direto: “Você sabe como estou. Nós moramos juntos”. É a típica descrição de um casamento que caiu no marasmo e que, se não fosse pelas brincadeiras infantis criadas pelo casal durante a trama, o relacionamento já teria chegado ao fim.

Claro que, além de uma boa história e de uma boa direção, o trio de atores principais se encaixa nessa sintonia quase perfeita que “Entre o Amor e a Paixão” encontrou. Michelle Williams prova, mais uma vez, que é uma ótima atriz. Ela soube dar vida a uma confusa e medrosa Margot, que tem medo até de ter medo. Luke Kirby, que é pouco conhecido, também está muito bem em seu papel e deve aparecer mais nas telonas de cinema. E Seth Rogen dispensa comentários. Que ele é um sensacional ator, nós aqui do Cinestrela já sabíamos. Somos fã dele. Mas vê-lo em um papel que exigiu mais do seu lado dramático do que do seu lado cômico surpreendeu. E ainda bem que de maneira positiva. Rogen conseguiu encontrar o ponto certo entre esses dois lados e mostrou que sabe sim sair da sua zona de conforto.


“Entre o Amor e a Paixão” é um filme doce, leve e engraçado. Mas, ao mesmo tempo, fala sobre se tomar uma decisão radical que exige demais do emocional de uma pessoa. Com ótimas sequências, como o encontro de Daniel e Margot na piscina durante a noite, ou a cena em que ele descreve, em mínimos detalhes, uma cena de sexo entre os dois, enquanto eles tomam um café em uma pequena doceria.

Para quem não pôde acompanhar durante a Mostra, o filme estreia no circuito nacional nesta sexta-feira (9). “Entre o Amor e a Paixão” me encantou como mágica. A definição correta é que fiquei extasiada após assistir ao longa. É um bom filme para se pensar sobre a vida. Para refletir sobre quando é possível se ter certeza de que um relacionamento está bem - e quando algo externo pode, de repente, mudar tudo que você considera estável.


E o mais importante: duvido você não terminar de assistir ao longa morrendo de vontade de experimentar uma das deliciosas receitas de frango de Lou. As cenas em que ele cozinha são tão reais e apetitosas que, em alguns momentos, você tem a impressão de que está sentindo cheiro de frango dentro da sala de cinema.
"Entre o Amor e a Paixão" fala sobre a importância de se dar uma chance "Entre o Amor e a Paixão" fala sobre a importância de se dar uma chance Reviewed by Mayara Munhoz on 13:18 Rating: 5

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