Impressões rápidas sobre a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Terminam hoje as sessões regulares da 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Já há três dias, estamos imersos no festival. Aproveitamos uma santa folga estendida para tentar ver o máximo de filmes possíveis. Com a repescagem, que se inicia já no fim desta semana, chegaremos a aproximadamente 20 filmes devidamente assistidos.

Em um festival com mais de 300 filmes, 20 pode parecer um número baixo. Mas, após dez anos acompanhando a Mostra, já aprendi que não é preciso nenhuma cifra astronômica para alguém poder afirmar que aproveitou o festival.

Vou escrever brevemente sobre seis dos filmes a que já assisti até o momento. Posteriormente, os melhores terão uma crítica mais longa. Adiantando, o meu favorito até agora foi “No”, do chileno Pablo Larraín, escolhido para ser exibido, inclusive, na abertura da Mostra. O pior, infelizmente, foi “Vidas Curdas”. Digo infelizmente porque sou um fã do cinema da antiga Pérsia e adjacências.

Bom, vamos a algumas impressões rápidas sobre eles:

“No”
Filme empolgante, tanto na temática, quanto na forma. Com Gael Garcia Bernal no elenco, o longa de Pablo Larraín conta a história do plebiscito que definiria a permanência ou saída do General Augusto Pinochet do poder. Gael é um publicitário cooptado para trabalhar na campanha publicitária pelo “Não” ao ditador.


“Post Mortem”
Também dirigido pelo chileno Larraín, o filme volta a tocar na questão Pinochet. Muito diferente de “No”, este filme de 2010 tem ritmo e pegada muito menos convencionais. Fez sucesso em festivais importantes, como Veneza, mas não me empolgou muito. Vale pela atuação de Alfredo Castro, recorrente na filmografia de Larraín.



“Era uma vez no Oeste”
Foi um grande privilégio assistir ao clássico de Sergio Leone, de 1968, restaurado em uma impecável transposição digital, que não lavou a fotografia, tampouco tirou a textura da película. Ainda mais pelo fato de a musa italiana Claudia Cardinale ter comparecido à sessão. Leone era um gênio. A sua câmera precisa capta com excelência a tensão psicológica e transmite a sensação claustrofóbica, por mais contraditório que isso possa parecer, do ermo velho oeste dos Estados Unidos. Tudo embalado pela música épica e Enio Morricone e atuações fantásticas de Charles Bronson, Henry Fonda e Jason Robbards.



“Cinejornal”
Uma colagem de trechos de cinedocumentários da propaganda oficial comunista nas décadas de 1950 e 60, montado por Sergei Loznitsa. Um retrato da União Soviética da época pelos olhos de seus comandantes. Uma aula de história e de montagem. Um documentário sem narrações, sem voice over. Apenas as imagens da época, encadeadas de uma maneira a dar um aspecto narrativo ao filme. Sensacional.



“Um alguém apaixonado”
Para quem gosto do circuito de arte de cinema, não havia como não se interessar por um filme do iraniano Abbas Kiarostami, filmado no Japão, com produção francesa. Com sua velha mania de narrar filmes sem se preocupar com explicações, Abbas vai nos revelando, pouco a pouco, a história de algumas vidas que e cruzam quase ao acaso em dois dias em Tóquio. Interessante por vários motivos.



“Vidas Curdas”
Um falso “filme iraniano”. Da escola cinematográfica do país de mestre como Abbas, Ghobadi e Mahkmalbaf, o diretor Shiar Abdi emprestou a linguagem sec, o cenário árido a e as atuações não-profissionais. Mas, na ânsia de tentar emocionar a qualquer custo, o turco fez apenas um filme quadrado, com música edificante em momentos em que queria arrancar emoção da plateia. De interessante, apena o relato do começo do genocídio contra os Curdos, cuja “nação” é nada menso que um enclave entre Turquia, Irã e Iraque. 

Impressões rápidas sobre a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo Impressões rápidas sobre a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo Reviewed by Diego Iwata Lima on 11:54 Rating: 5

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