Sóbrio, "O Impossível" vai além da tsunami e relata dramas palpáveis

Chamar “O Impossível” (The Impossible) de “filme-catástrofe”, além de preconceituoso, é reduzir a obra do diretor catalão Juan Antonio Bayona a apenas um de seus aspectos. O longa, em cartaz no Brasil desde 20 de dezembro, é, além disso, um bom drama, calcado em atuações de primeira do casal de protagonistas Naomi Watts (Maria) e Ewan McGregor (Henry) – além das crianças Tom Holland (Lucas), Samuel Joslin (Lucas) e Oaklee Pendergast (Simon).

Baseado em fatos reais ocorridos com a família da espanhola María Belón, o filme conta a história de um casal com três filhos em viagem à Tailândia, surpreendidos pela tsunami de 2004, que arrasou boa parte do país e adjacências. Sim, as cenas das águas levando tudo que vem pela frente são muito benfeitas, misturando efeitos de computação elegantes e certeiros com cenas recriadas em sets muito bem desenhados, que mereciam ser lembrados pela Academia para o próximo Oscar de Direção de Arte. Mas o verdadeiro show vem depois da tempestade.

Separados em grupos de sobreviventes, cujas composições é melhor não revelar, para manter o suspense de quem for assistir ao filme, o elenco brilha. Naomi Watts, que apesar de ser um tanto sem sal, consegue atuar tão bem em filmes densos como o “Mullholland Drive” de David Lynch, quanto no remake de “King Kong”, de Peter Jackson, por exemplo, encontrou um tom bastante sóbrio para a mãe que tem o peito e a família retalhados pela tragédia. Assim como Ewan McGregor, cujo maior mérito como ator é sempre conquistar a simpatia da plateia para seus personagens.

Em pouco mais de duas horas de filme, o diretor Bayona consegue fazer “O Impossível” ter pitadas de thriller de ação, drama familiar, suspense e, até mesmo, road movie. Tudo sem perder o pique, com ritmo agradável e um roteiro bastante funcional, sem histerismos. Aqueles que torceram o nariz quando souberem que o filme recriava a tsunami de 2004 e, por isso, evitaram a produção, estão perdendo um dos filmes mais criativos deste verão no hemisfério sul.

Bayona foi hábil para não transformar o drama familiar em dramalhão. O diretor não força a barra para o surgimento de lágrimas na plateia, nem exagera nas cenas de catástrofe, apenas para exibir a capacidade da produção em criar efeitos especiais. É desse modo que ele torna muito mais tranquila a digestão da história. Os momentos de emoção do filme são construídos naturalmente. Em vez de focar no choro, Bayona investe na sensação labiríntica que os personagens passam a viver depois da tragédia. E até porque foca em dramas reais, mostra o personagem lidando com problemas palpáveis e críveis.


“O Impossível” recebeu apenas uma indicação ao Globo de Ouro e ao Oscar, com Naomi Watts, para Melhor Atriz. Nos Globes, ela já foi derrotada por Jessica Chastain, de "A Hora mais escura". As chances de Naomi no Oscar também não são muito grandes - o que não tira o brilho de seu trabalho.

A verdade é que "O Impossível" deveria ter sido mais bem lembrado pela Academia. Além de Direção de Arte e Atriz, o filme poderia facilmente surgir entre os indicados nas categorias Roteiro Original (Sérgio G. Sanchez, parceiro antigo do diretor) e Efeitos Visuais.

Também não foi desta vez que o catalão Juan Antonio Bayona (“O Orfanato”) recebeu uma indicação. Mas, com o bom trabalho que demonstrou nessa longa, muito bem acolhido pela crítica internacional, não deve tardar muito para isso acontecer. E olho vivo no garoto Tom Holland. Podemos estar diante de um novo nome forte nas telas para os próximos anos.
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