Boas histórias, humor e falta de pretensão encantam em "Pequena Miss Sunshine"

O anúncio dos indicados ao Globo de Ouro e ao Oscar 2013 mostrou ao público que os principais prêmios de início de temporada serão disputados por pesos pesados do cinema mundial - ao menos nas categorias de atuação. Uma das listas que mais chamou a atenção foi a de concorrentes ao prêmio de melhor ator coadjuvante. Afinal, não é todo dia que se vê um enfrentamento entre antigos premiados de Oscar e habitués de indicações às estatuetas.

Um desses nomes de ouro é Alan Arkin ("Argo"). Apesar de ter perdido a disputa no Globo de Ouro para Christoph Walts, o veterano ainda pode levar o Oscar. E para celebrar a indicação de Arkin, o Cinestrela relembra justamente o filme que lhe rendeu a maior premiação de sua carreira, o Oscar de Ator Coadjuvante por "Pequena Miss Sunshine".

Nas premiações de 2007, em que os arrasa-quarteirões "Os Infiltrados" e "Babel" polarizavam indicações, vitórias e atenções, o filme protagonizado por toda uma família ganhava os corações do público e críticos menos ortodoxos. Especialistas em documentários musicais e videoclipes, Jonathan Dayton e Valerie Faris dirigiam o primeiro grande longas deles. E a fama de obra independente que reunia nomes famosos de Hollywood, além de uma linda menina gorduchinha, foi caindo no gosto dos apreciadores de uma boa história.

Basicamente, "Pequena Miss Sunshine" fala de uma família que se dispõe – não muito de boa vontade – a cruzar o país para levar a caçula Olive (Abigail Breslin), de 7 anos, a participar de um concurso infantil de beleza. Esse resumo simplório não permite entender por que o filme faturou o Oscar de melhor roteiro original. Porque são as pequenas histórias de cada um dos seis personagens que dão tanto sabor à película.

Sheryl (Toni Collette, muito bem) e Richard (Greg Kinnear) são casados e encabeçam uma família norte-americana típica que talvez só "Beleza Americana" tenha retratado tão bem. Eles são pais de Olive, que apesar de ser gordinha (Abigail usou enchimentos durante as gravações) e usar óculos gigantes, sonha em ser miss. Sheryl ainda tem um filho mais velho, Dwayne (Paul Dano), fruto de outro casamento, que fez voto de silêncio para conseguir entrar numa academia de aviação.


Edwin (olha o Alan Arkin aqui) é pai de Richard e tem princípios – ou talvez nem os tenha – totalmente diferentes dos do filho. Enquanto o pai de família acredita ter criado um sucesso da autoajuda, um livro com nove passos para o sucesso que, na verdade, é um fracasso, o vovô é um hippie aposentado, viciado em heroína, que foi expulso do asilo onde morava.

Como se não bastasse tudo isso, Sheryl traz para casa o irmão gay Frank (Steve Carell, bem diferente de todos os seus outros papéis), um intelectual especialista em Marcel Proust que tentou suicídio após perder o namorado justamente para seu maior rival profissional.

Quando Olive tem a chance de disputar o Miss Sunshine, toda a família se vê obrigada a embarcar no plano e cruzar os Estados Unidos, de Albuquerque para a Califórnia, a bordo de uma Kombi amarela que dá problemas do início ao fim da viagem.


Aos poucos, as encrencas técnicas do veículo vão sintetizando os obstáculos pessoais de cada um dos personagens. Um freio que não para, um arranque que não funciona, uma porta que cai, uma buzina que dispara são espelhos de um fiasco monumental, um amor mal resolvido, um daltonismo crucial e uma morte anunciada – sim, alguém morre.

Obviamente, não vamos estragar a surpresa e contar se Olive consegue enfim o título que tanto busca. Fato é que sua apresentação, dirigida pelo vovô,  é totalmente diferente do que se vê em concursos de pequenas Barbies, é divertida e apaixonante. Abigail Breslin, aliás, é tão especial que nos dá a impressão de que ninguém mais poderia encarnar este personagem com tanta propriedade.


"Pequena Miss Sunshine" é uma história simples recheada de outras pequenas tramas não muito complexas, mas rotineiras e próximas do nosso conhecimento. Um longa salpicado de humor que não tenta se fazer grandioso e que, por isso mesmo, alcança facilmente o espectador.
Boas histórias, humor e falta de pretensão encantam em "Pequena Miss Sunshine" Boas histórias, humor e falta de pretensão encantam em "Pequena Miss Sunshine" Reviewed by Paula Almeida on 12:34 Rating: 5

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