Bradley Cooper renasce para Hollywood no saboroso "O Lado Bom da Vida"

Atores e filmes de comédia raramente são tão valorizados quanto os atores "dramáticos" por Hollywood. Isso é um fato. Para um artista que se consagra em uma ou duas películas fazendo rir, torna-se um martírio convencer que também sabe fazer chorar. Até hoje, Jim Carrey não é levado muito a sério. Adam Sandler, Ben Stiller e outros têm a mesma dificuldade. Parece que um, pelo menos, já deu seu jeito de se livrar da pecha. Eternizado pelos divertidíssimos “Se Beber Não Case” 1 e 2, e pela beleza que o fez ser apontado como o homem mais sexy do mundo, em 2011 segundo a revista People, Bradley Cooper mostra ser um “ator de verdade” em “O Lado Bom da Vida", filme que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Aliás, vale destacar, não é todo dia que vemos comédias, ainda que dramáticas, receberem 8 indicações ao Oscar.

No longa dirigido e adaptado por David O. Russell (indicado aos prêmios de melhor diretor e melhor roteiro adaptado), o bonitão deixa de lado o blazer preto de cassino e veste, com naturalidade, um saco preto de lixo. Em “Lado”, Cooper é Pat, um rapaz bipolar, que tenta retomar sua vida após passar oito meses em um presídio psiquiátrico, ao qual foi levado por agredir violentamente o amante de sua mulher, Nikki.

Aos poucos, porém, percebe-se que distúrbios psíquicos – ou no mínimo esquisitices – são comuns a qualquer pessoa. Pat, que mentaliza frases de autoajuda e tem que fazer sessões frequentes de terapia para controlar seus impulsos e repentes de violência, é irmão de um empresário engomadinho, filho de uma mãe  carinhosa e subserviente (Jacki Weaver, indicada ao Oscar de atriz coadjuvante) e de um pai apostador e supersticioso (Robert de Niro, coadjuvante de peso, também indicado ao Oscar), que acredita poder interferir no resultado das partidas de acordo com a maneira como assiste aos jogos de futebol americano – acompanhado de seus garotos, ou com um lenço na mão, por exemplo.


Pat tem apenas um objetivo momentâneo: reconquistar Nikki, de quem deve manter uma distância imposta pela Justiça. Para isso, usará a ajuda nada convencional de outra garota problemática, Tiffany (a nova queridinha de Hollywood, Jennifer Lawrence, de "Jogos Vorazes"). Também cheia de complexos, como Pat, a moça é solitária e vive das lembranças de seu passado promíscuo e do marido que morreu recentemente. Tiffany aceita entregar cartas de Pat para Nikki e ajudá-lo a se aproximar da esposa, desde que ele, em contrapartida, seja seu parceiro em um concurso de dança.

Os diálogos entre os dois protagonistas passeiam entre a comédia e o drama com facilidade, sem a menor cerimônia. Os ensaios para a competição, com a elaboração de passos desajeitados e as primeiras trocas de olhares insinuantes, também são apaixonantes. Méritos para o trabalho de edição, também indicado ao Oscar. A dança, aqui, representa pouco. O que importa é que, pela primeira vez, Pat e Tiffany estão focados em algo que independe de seus amores e ciúmes.


Jennifer Lawrence mostra em “Lado” a versatilidade que tem feito dela a mais nova estrela do cinema mundial. É visceral, impecável em seu papel e chega a roubar a cena mesmo contracenando com De Niro. O favoritismo exagerado dela para o Oscar, no entanto, talvez se deva mais ao fato de que este ano não foi das mulheres, mas sim dos homens, nas telonas.

Bradley Cooper, por sua vez, revela ser bom, independentemente de sua beleza. A lamentar, tem apenas  o fato de viver seu principal papel justamente no ano em que Hugh Jackman conseguiu agradar a americanos e europeus em um musical baseado em um clássico da literatura francesa ("Os Miseráveis"). E que Daniel Day Lewis, em "Lincoln" é aquela barbada que só aparece de tempos em tempos nas premiações.


No que diz respeito à principal categoria das cerimônias, “O Lado Bom da Vida” não se sustenta para bater de frente com trabalhos tão grandiosos quanto “Lincoln”, “Argo” e até mesmo “Os Miseráveis” e “Django Livre”. Mas é aquela opção refrescante, quase independente, que nos permite respirar, refletir e até sorrir em meio ao peso e à “seriedade” dos arrasa-quarteirões.
Bradley Cooper renasce para Hollywood no saboroso "O Lado Bom da Vida" Bradley Cooper renasce para Hollywood no saboroso "O Lado Bom da Vida" Reviewed by Paula Almeida on 13:12 Rating: 5

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