O bom “Dezesseis Luas” luta contra o preconceito para fazer sucesso

“Defina bom”. A frase dita por mais de uma vez pela personagem principal de “Dezesseis Luas” se encaixa perfeitamente aqui na minha crítica. O que é bom para você? Para mim, bom é um filme que me prende e que me faz chegar em casa e querer saber mais sobre ele. É uma história que me envolve e me deixa na expectativa pelo “próximo capítulo”. Mas, tenho certeza, que para alguns – e quando digo alguns, quero dizer uma grande maioria – “Dezesseis Luas” não se encaixa na definição de bom.

“Dezesseis Luas” já chegou aos cinemas conhecido como novo “Crepúsculo” - por isso, logo de cara, já é visto com certo preconceito. Entretanto, as duas obras possuem mais diferenças do que semelhanças. Ambas foram baseadas em livros infanto-juvenis e misturam elementos sobrenaturais, como vampiros e bruxas, com um romance adolescente. Entretanto, “Dezesseis Luas” possui uma história mais consciente, que segue mais à risca as lendas que envolvem o sobrenatural e que ganha um milhão de pontos com a ótima química do casal protagonista – algo que, mesmo tendo um relacionamento na vida real, Robert Pattinson e Kristen Stewart nunca conseguiram em toda a saga “Crepúsculo”.

Na história, Ethan Wate (Alden Ehrenreich) é um garoto que nasceu e morou a vida toda em uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos. Filhos de pais escritores, ele perdeu a mãe em um acidente de carro no ano anterior ao que se passa a história. Desanimado com a vida que leva na cidade – onde um filme chega ao cinema ao mesmo tempo em que chega em DVD nas lojas -, Ethan aguarda ansiosamente o fim do colegial para poder ir para a faculdade mais longe de casa possível. Tudo está correndo conforme planejado até que uma nova garota se muda para a cidade e para a sua escola: Lena Duchannes (Alice Englert). Sem saber o porquê, Ethan e Lena se aproximam cada dia mais – mesmo ela sendo sobrinha do assustador Macon Ravenwood, um senhor que a cidade toda acredita ser ligado a Satã.

Desde a chegada de Lena à cidade, coisas estranhas começam acontecer, como tempestades inesperadas e vidros que se quebram sozinhos. Ethan, então, descobre que sua namorada é uma conjuradora, ou uma bruxa, como preferir. E que o seu aniversário de 16 anos, alguns meses depois que ele a conhece, definirá quem ela será: uma bruxa das Trevas ou da Luz.


Apesar de ser um filme focado em adolescente, assim como o livro, ele não é totalmente infantil. O cenário e a fotografia são admiráveis. Filmado em Covington, Louisiana, as paisagens são lindas e com cores e tons que combinam com os personagens. Os efeitos especiais deixam a desejar bastante, mas nada que prejudique completamente o longa. O tom escolhido pelo diretor Richard LaGravenese (de “P.S. Eu Te Amo” e “O Pescador de Ilusões”) é o correto. “Dezesseis Luas” tem um quê de terror – em vários momentos me preparei para gritar dentro da sala do cinema.

O diretor também acertou no elenco. Apesar de o casal protagonista ser completamente desconhecido, a química entre eles é incrível. Completamente diferente do que vemos em “Crepúsculo”, onde parece que Bella está sempre triste e Edward sempre sofrendo. Alden Ehrenreich, que é muito bom ator, já fez pequenas participações em outros filmes, como “Tetro” e “Segredos de Sangue”. Alice Englert, não tão boa atriz como Alden, protagonizou “Ginger & Rosa”. Ambos vão bem, mas o garoto tem mais destaque, apesar de em algumas cenas passar a impressão de que está exagerando. Alice melhora com a proximidade do aniversário de Lena.


O trio de atores secundários chama atenção, principalmente, por todos já terem sido indicados ao Oscar e dois deles levarem estatuetas para casa. Jeremy Irons, vencedor do Oscar por “O Reverso da Fortuna” é o sombrio Tio Macon, Viola Davis, indicada por “Histórias Cruzadas”, é Amma. E Emma Thompson, vencedora por “Razão e Sensibilidade”, é Sarafine e a Sra. Lincoln. Macon, inicialmente parece ser do mal, mas demonstra ser apenas um tio que ama muito a sobrinha e quer o bem dela acima de tudo. Amma é vidente e também a mulher que cuida de Ethan desde que ele nasceu.

Aqui vale uma curiosidade, no filme, Amma é junção de duas personagens do livro: Amma, a vidente, e Marian, a bibliotecária que foi melhor amiga da mãe de Ethan. LaGravenese optou por unir as duas personagens, para que uma grande atriz topasse interpretá-la. Emma Thompson também interpreta duas pessoas, mas dessa vez não é uma junção. Ela é a Sra. Lincoln, uma beata e mãe do melhor amigo de Ethan, mas seu corpo é usado por um tempo por Sarafine, uma bruxa das Trevas. Todos os três estão espetaculares, mas Viola Davis é, com certeza, o principal destaque.

“Dezesseis Luas” já conquistou o público adolescente em vários cantos do mundo e ganhou boas críticas fora do Brasil. Aqui não foi muito aceito pela imprensa e acredito que também não terá grandes números de público - no dia que fui ao cinema, na semana de estreia, tinham apenas mais três pessoas, além de mim, e curiosamente não eram adolescentes. Já li também o livro “Dezesseis Luas” e, apesar de o filme fazer várias mudanças na história do livro, todas são aceitáveis e aprovadas pelas autoras da obra Margaret Stohl e Kami Garcia. Já estou começando a ler “Dezessete Luas”, o próximo livro da saga, e espero ansiosamente pelo filme, que ainda não tem data para sair.


Como comecei o meu texto, “Dezesseis Luas” é um filme que depende do seu critério de avaliação. Ele é acima da média e melhor que toda a “Saga Crepúsculo”, da qual também gosto muito e já li todos os livros e vi todos os filmes. Para quem gosta de suspirar com bonitas histórias de amor, mas também curte uma ação e, principalmente, um leve toque de sobrenatural, vale a pena ir ao cinema conferir a nova sensação hollywoodiana.
O bom “Dezesseis Luas” luta contra o preconceito para fazer sucesso O bom “Dezesseis Luas” luta contra o preconceito para fazer sucesso Reviewed by Mayara Munhoz on 13:23 Rating: 5

Um comentário:

José Armando disse...

Que se foda, só acho que criticar não vai te levar a lugar nenhum, então já que não ta bom do jeito que eles fazem, tenta fazer melhor.

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