Caro, "O Cavaleiro Solitário" aposta tudo no carisma de Johnny Depp e falha

Tendo o Oeste dos Estados Unidos ainda a ser conquistado pela sociedade civilizada no fim do século 19, o que não faltam nesses cenários são motivos para uma aventura. Os westerns sempre retrataram a briga de caubóis, o contato com os índios locais e o desenvolvimento da indústria ferroviária. Mas o gênero já não encontra o mesmo vigor do passado nos cinemas. Uma das maiores apostas das férias,"O Cavaleiro Solitário" tenta fazer todos esses elementos se tornarem mais grandiosos, mas peca por não atrair a atenção do público.

Os mais jovens devem ficar intrigados com o título, mas o espectador com (bem) mais idade se lembra do seriado de TV homônimo (chamado no Brasil de "Zorro", porém com nenhum tipo de parentesco com o herói espadachim) que marcou época nos anos 1950. Já se passaram 56 anos desde o fim do programa e a atração ficou esquecida. Em busca de uma nova saga de sucesso, os estúdios Disney deram o projeto nas mãos do diretor Gore Verbinski e do produtor Jerry Bruckheimer, dupla responsável pela trilogia original de "Piratas do Caribe". A expectativa era de que eles poderiam levar a diversão dos foras da lei dos mares para o Velho Oeste.

Para garantir parte do êxito anterior, escalaram o popular Johnny Depp no elenco. Todas as atenções estão voltadas para o astro norte-americano, na esperança de que ele salve o investimento com seu estilo excêntrico. Desde o anúncio do projeto, todos os materiais têm a cara do ator. Apesar de parecer surpresa, Depp não é o tal Cavaleiro Solitário do título. Ele dá vida a Tonto, índio que busca apagar mágoas do passado ligadas à ganância do homem branco. Entre figurinos bizarros (que incluem o rosto pintado e um corvo morto na cabeça), soa como uma versão do Capitão Jack Sparrow.


O caminho do indígena cruza com o do homem da lei justo e extremamente político John Reid (Armie Hammer, que interpretou papel duplo como os gêmeos Winklevoss em "A Rede Social"). Seu retorno à terra natal e o encontro com o irmão irão mudar sua perspectiva de justiça. O alvo da dupla é o sanguinário Butch Cavendish (William Fichtner, de "Falcão Negro em Perigo"), com sede de sangue o bastante para fazer inveja a Hannibal Lecter. A lenda dos feitos dos mocinhos é relatada décadas depois pelo já bem idoso Tonto a um pequeno fã dos faroestes. Cenas e situações são aproveitadas para prestar homenagens a clássicos do gênero, caso de "Era Uma Vez no Oeste" (1968).

Não faltam explosões e efeitos especiais de primeira qualidade. O ponto fraco fica por conta de os responsáveis acharem que somente esses artifícios valeriam o ingresso. A agilidade das ações esbarram na longa duração da obra. Apesar de divertir sempre, Depp liga o piloto automático para fazer suas viagens pessoais ao criar seu novo personagem. Tonto é o foco das atenções quando aparece em cena, muito pelo fato de o Texas Ranger de Hammer insistir em piadas quanto a seu despreparo para ser o lendário espírito andarilho. O clima um tanto quanto místico em torno do protagonista é simbolizado pelo cavalo branco que não encontra fronteiras para resgatar os amigos.

PREJUÍZO

Em competição com outros filmes muito aguardados, "O Cavaleiro Solitário" pena para tentar compensar seus gastos. Os cerca de US$ 215 milhões (somando orçamento das gravações com ações de marketing) desembolsados pela Disney ainda não foram pagos e alguns dos executivos do estúdio avaliam como "frustrante" o resultado nas salas. O longa está em cartaz nos Estados Unidos desde o dia 3 e sua arrecadação ainda não chegou aos US$ 80 milhões. A franquia sonhada parece nunca ter chegado ao mundo real.
Caro, "O Cavaleiro Solitário" aposta tudo no carisma de Johnny Depp e falha Caro, "O Cavaleiro Solitário" aposta tudo no carisma de Johnny Depp e falha Reviewed by Luís Felipe Soares on 16:45 Rating: 5

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