Bom, "O Homem de Aço" é renascimento moderno e digno para a franquia Superman

Se não garante, de imediato, um futuro próspero para a franquia, "O Homem de Aço", novo filme do Superman, corrige com louvor a rota equivocada tomada pela Warner em 2006, no fraco "Superman - O Retorno". Com ótimo trabalho de efeitos visuais, roteiro bem-sacado, inspirado por quadrinhos da era moderna e pelo icônico "Superman", de 1978, "O Homem de Aço" não chega a ser um clássico súbito do gênero, como "Batman Begins", rapidamente, se tornou. Contudo, fãs do personagem mais emblemático da DC Comics, comemorem: o filme de Zack Snyder ("300"), produzido por Christopher Nolan (Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge"), tem dignidade suficiente para gerar boa expectativa para a já anunciada continuação.

A Warner nunca desiste de filmar Superman. E não está errada. Poucos heróis têm suas origens e mitologias tão conhecidas pelo público médio como Superman. Termos como Clark Kent, Lois Lane, Lex Luthor e kryptonita aparecem há tanto tempo, e com tanta frequência, nas mais variadas mídias, que é comum pessoas que não sabem nada sobre super-heróis saberem um pouco que seja da história do personagem. Longas metragens, séries de TV, várias séries de desenhos animados, quadrinhos e um sem-número de produtos licenciados fazem com que Superman seja onipresente para diversas faixas etárias.

Quando os três primeiros filmes de Superman foram lançados em DVD, a prestigiada Revista SET, a mais bem-sucedida publicação de cinema da história do mercado editorial brasileiro, deu uma capa para o personagem. Nunca um lançamento de home video de um filme de catálogo havia sido capa, em quase 20 anos de revista. A honra sempre fora dedicada a um lançamento de cinema. A justificativa para a quebra de protocolo estava no próprio título da matéria: "O maior ícone pop do século 20".

O problema é que, apesar da importância, Superman ficou anacrônico para os dias de hoje. A moral demasiadamente ilibada e a bondade extrema do personagem já não têm o mesmo eco de décadas anteriores. Essa é a maior dificuldade de se elaborar um bom roteiro para o personagem no século 21. Num mundo de pessoas estressadas, depressivas e com personalidades cada vez mais multifacetadas, um personagem bonzinho demais fica difícil de se engolir.

Escrever Superman de uma maneira plausível e modernizada não é fácil. Tentativas anteriores de dar uma personalidade mais complexa ao herói passaram do ponto. No filme de 2006, por exemplo, Superman havia abandonado um filho de maneira egoísta. Em "Superman IV", de 1987, Clark virou um cara escroto e inconsequente. Assim, é com alegria que vemos que David. S. Goyer achou um tom bem adequado para Clark Kent em "O Homem de Aço". Um cara bom, sem ser pateta. Perturbado, mas não maluco. Preocupado em salvar o mundo? Sim. Mas interessado, na mesma medida, em cuidar da própria vida e entender qual o seu lugar. Se não voasse, tivesse superforça ou visão de raio-X, Superman seria uma pessoa comum, e não o homem mais bonzinho do planeta.

Usando flashbacks, recurso inteligente para não cansar os espectadores em filmes de introdução de sagas, Goyer e Snyder mostram os anos que antecederam a transformação de Clark no herói da capa vermelha com bom ritmo. Destaques do clássico de 1978, as cenas passadas no planeta Krypton têm soluções visuais muito boas e efeitos criativos. Russel Crowe ("Uma Mente Brilhante"), como o pai do protagonista, empresta a Jor-El a mesma credibilidade que Marlon Brando ("O Poderoso Chefão") concedera ao personagem no lendário filme dos anos 1970.

Com o objetivo de limar qualquer semelhança do novo filme com os outros do herói na tela grande, Nolan optou por não usar nem mesmo o mítico tema musical do gênio John Williams em "O Homem de Aço". Uma pena. Pois se há algo indiscutivelmente a se respeitar nos cinco primeiros filmes do kryptoniano, trata-se do tema musical. Um clássico (ouça aqui). Mas vale dizer que o trabalho do maestro Hans Zimmer para o novo longa não ficou ruim (aqui).

Henry Cavill ("Stardust: O Mistério das Estrelas") também mostra-se uma boa escolha para o papel principal. Em vez de procurar alguém que se parecesse com Christopher Reeve, como os produtores de "Superman: O Retorno" fizeram, ao selecionar o pouco expressivo Brandon Routh, Nolan e Snyder buscaram alguém que conseguisse atuar para vestir o uniforme. E acertaram. Especialmente quando é apenas Clark, Cavill demonstra bastante talento para uma atuação com certo grau de complexidade.

O elenco de apoio também brilha. A comumente linda Amy Adams ("Julie & Julia") é quem mais patina para achar o tom certo de petulância para sua Lois Lane. Michael Shannon ("The Runnaways - Garotas do Rock"), como o mítico general Zod, por outro lado, já começa o filme bem, acompanhado de Antje Traue, como a também vilã Faora. E, para quem conhece o drama televisivo"Law & Order: SVU", vale dizer que Christopher Meloni, o eterno Elliot Stabler, mostra seguir talentoso na arte de encarar o tipo autoritário, mas de bom coração. Laurence Fishburne (Trilogia "Matrix"), como o editor do Planeta Diário, Perry White (pegou a ironia?) e Diane Lane ("Infidelidade"), como Martha Kent, a mãe terráquea de Kal-El, também mostram competência.

Resta apenas saber como e quando virá a sequência de "O Homem de Aço". Com o fim da parceria da Warner com a produtora Legendary, que além desse filme, trabalhou com a Warner nos filmes de Batman e "300", entre outros, o futuro da franquia volta a ficar temerário. Vamos torcer para a que a Warner, que quer mais controle - leia-se dinheiro - com os personagens da DC Comics, encontre uma solução que não desvie o franquia do bom caminho reencontrado em 2013. E sem cueca por cima da calça, por favor.
Bom, "O Homem de Aço" é renascimento moderno e digno para a franquia Superman Bom, "O Homem de Aço" é renascimento moderno e digno para a franquia Superman Reviewed by Diego Iwata Lima on 13:58 Rating: 5

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.