Bonito, "Um Porto Seguro" é um tanto repetitivo

Não é segredo nenhum que eu sou muito fã do escritor americano Nicholas Sparks e dos filmes baseados em seus livros. No meio de abril, chegou aos cinemas brasileiros, o novo romance “Um Porto Seguro”, estrelado por Julianne Hough e Josh Duhamel. Para a minha surpresa, um tanto repetitivo, esse é o primeiro filme baseado nos livros do escritor que me decepciona de alguma maneira.

“Um amor para recordar” foi, por muito tempo, o meu filme predileto. Já perdi a conta de quantas vezes o assisti. O mesmo com “O Diário de uma Paixão”. Dos mais atuais, também gostei muito de “A Última Música” e “Querido John”. Não li ainda o livro que originou o filme. Por isso, não vou criticar aqui a história de Sparks.

Na história, Josh Duhamel (“Noite de Ano Novo” e “Quando em Roma”) é Alex, um viúvo pai de dois filhos, dono de uma lojinha numa pequena cidade no litoral da costa leste dos Estados Unidos. Ele leva uma vida normal até a chegada da misteriosa Katie (Julianne Hough, de “Footloose” e “Rock of Ages: O Filme”). Ela é uma jovem que foge para a cidade tentando recomeçar a vida após um incidente em sua antiga cidade.

Diferente das histórias só melosas e dramáticas dos outros filmes, “Um Porto Seguro” também conta com uma pitada de suspense. O mistério que envolve Katie e a sua fuga não é resolvido até a parte final do filme, fazendo com que o espectador imagine inúmeras situações diferentes. Além disso, o longa também aborda uma lado mais espiritual – algo que não é visto com frequência nos romances de Sparks.


Alex e Katie engatam um romance digno de suspiros. Com direito a beijos quentíssimos, de tirar o fôlego e brigas homéricas. As cenas são bem feitas e os dois atores são bonitos demais, no mesmo estilo de Rachel McAdams e Ryan Gosling em “O Diário de uma Paixão”. O trabalho da fotografia também ajuda e faz com que quem assiste fique com a impressão de que todo mundo tem um certo brilho especial no longa.

A grande decepção fica por conta da sensação de mais do mesmo, sabe? Principalmente em uma cena em que Alex leva Katie para andar de barco. Eles vão para um lago em um cenário lindo e começa a chover. Você já viu isso em algum lugar? É exatamente a mesma cena de “O Diário de uma Paixão” e é muito fácil ficar com a sensação de que essa cena poderia ter sido melhor trabalhada.


As atuações de Duhamel e Hough estão bem ok. Eu já não tinha gostado muito da atuação dela em “Rock of Ages” e, de novo, a achei muito sem expressão. Não consigo identificar com facilidade quais são as emoções que sua personagem está querendo passar. Duhamel está um pouco melhor, naquele papel clássico de bom pai, bom namorado e, ainda por cima, um galã de tirar o fôlego.

Além deles, destaque para as atuações dos dois filhos de Alex, os pequenos Josh (Noah Lomax, de “Um Bom Partido”) e Lexie (Mimi Kirkland). Eles estão perfeitos e conquistam o público sem muita dificuldade. Cobie Smulders, da série “How I Met Your Mother”, interpreta a vizinha de Katie, Jo. Ela também não vai muito bem, mas acredito que por causa do seu personagem que tem um papel meio inútil em quase todo o filme.


Por fim, “Um Porto Seguro” é uma história de amor linda, daquelas que todo mundo queria viver. Igual a todas as outras de Nicholas Sparks. Mas, o filme poderia ter sido feito com um pouco mais de cuidado para não passar essa impressão de que tudo ali já foi visto. Para quem é fã dele ou gosta muito de romances melosos, não é um total desperdício. O desafio, agora, para as próximas adaptações de Sparks é produzir uma novidade. Conteúdo, capacidade e material para isso, sabemos que ele tem.
Bonito, "Um Porto Seguro" é um tanto repetitivo Bonito, "Um Porto Seguro" é um tanto repetitivo Reviewed by Mayara Munhoz on 18:52 Rating: 5

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