Nem Tom Hanks e Halle Berry salvam "A Viagem"

Os irmãos Andy e Lana (que até passar por operação de mudança de sexo no fim dos anos 2000 atendia por Larry) Wachowski adoram misturar temas e cenários futurísticos a questões filosóficas. A nova empreitada da dupla questiona a existência do destino na vida das pessoas e tenta mostrar como certas ligações podem ser mais fortes do que o passar do tempo. Para a missão, eles pediram a ajuda do também diretor Tom Tykwer (de "Corra, Lola, Corra") para comandar "A Viagem".

O conceito do projeto é de que seis histórias funcionem individualmente, sendo que a jornada é capaz de navegar pelo passado, presente e futuro - não necessariamente nessa ordem natural dos acontecimentos. Enquanto um jovem compositor sonha em se tornar um nome renomado da música na década de 1930, a garçonete Sonmi-451 vive em uma Coréia do Sul espacial na qual clones trabalham como atendentes em um popular restaurante. Em meio a tudo isso, o advogado Adam Ewing viaja no século 19 para comprar novos escravos e acaba por repensar seus ideais ao fazer uma inesperada amizade no caminho para casa.

Mas o início e o fim de tudo ocorrem na realidade pós-apocalíptica onde vive Zachry (papel de Tom Hanks, de "Forrest Gump" e "Tão Forte e Tão Perto"), líder de uma pequena tribo futurística de uma ilha chamada Nova Seul. Seu caminho cruza o de Meronym (Halle Berry, a Tempestade de "X-Men"), representante de uma raça avançada de humanos. A relação entre os dois guarda espaço para afeto e boa dose de desconfiança sobre os segredos do local.

A monotonia das histórias se desenvolve em torno dos resultados das ações de cada personagem. Um dos diálogos profetiza que "nossas vidas não são nossas", sugerindo que somos elementos do mundo e que o universo se encarrega de estabelecer as conexões em que se desenvolvem. Basicamente, cada um é dono de seu destino, para o bem ou para o mal.

Esse tipo de filosofia chega a ser enfadonha, mas os Wachowski buscam dinamizá-la de maneira ousada, grande parte por meio de um visual deslumbrante. Mas as tramas acabam desgastadas rapidamente e muitas delas sequer prendem a atenção ou geram interesse. Na busca por dar a mesma atenção para todos os contos, "A Viagem" se torna prolixa e inconstante. Seria mais fácil tratar questões existenciais de maneira singular.


Até mesmo o talentoso elenco parece perdido, sendo que os atores são responsáveis por múltiplas facetas. Tom Hanks talvez tenha feito a pior atuação da carreira (com a avaliação levando em conta sua participação em qualquer conto), Hugo Weaving interpreta caricaturas de vilões, incluindo uma máscula enfermeira de idosos. Nomes como Hugh Grant, Jim Sturgess e Susan Sarandon complementam o time muitas vezes transformado por doses exageradas de maquiagem.

A conexão tão esperada entre os acontecimentos se perde em um grande emaranhado cinematográfico. Pode ser que o filme se torne cult no futuro, mas hoje há dificuldades em colocar seu destino em comum com o do grande público.
Nem Tom Hanks e Halle Berry salvam "A Viagem" Nem Tom Hanks e Halle Berry salvam "A Viagem" Reviewed by Luís Felipe Soares on 14:45 Rating: 5

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