O emocionante "Rush" é muito mais que um filme sobre esporte

Rivais sim, inimigos não. Muita gente que gosta de esporte parece não entender essa máxima. Aliás, uma máxima que cabe também para outros aspectos da vida. No trabalho, por exemplo, às vezes ter um colega cujo rendimento você admira pode ser um combustível. Você pode querer estar onde seu rival está. E não precisa, para tanto, desejar a queda dele. Afinal, é preferível ter um rival no topo que te motive a subir do que estar em baixa ao lado dele, não?

"Rush - No Limite da Emoção", de Ron Howard ("Uma Mente Brilhante" e "Forrest Gump - O Contador de Histórias"), estreia mundial de 13 de setembro, conta a história de uma das rivalidades mais ferrenhas de um esporte em que desejar o lugar do outro é premissa básica para se ter sucesso. Pois é só ultrapassando os demais que se consegue ir adiante na Fórmula Um e no automobilismo em geral. 

Emocionante, lindamente fotografado e com atuações muito afinadas de Cris Hemsworth ("Os Vingadores") e Daniel Brühl ("Bastardos Inglórios"), "Rush" desponta com um dos mais belos filmes de esporte dos últimos tempos. Mas é mais do que isso. É também um filme sobre relações humanas, além de um retrato quase documental de um período esportivo que ficou para trás. Uma época que eu, já mais próximo dos 40 do que dos 20 anos de idade, ainda bem, já consigo mirar com uma dose gostosa de nostalgia. 

Hemsworth encarna James Hunt com um charme magnético e digno do playboy inglês que arrastava multidões de adoradores - e mulheres - no final dos anos 70. Brühl, em mais atuação de se tirar o chapéu, é o mal-humorado e workaholic austríaco Niki Lauda, um dos pilotos mais admirados pelos fãs do esporte a motor. E junto, o duo consegue encarnar os personagens com a dose certa de tensão e leveza nos momentos adequados.


"Rush" mostra o acirramento da rivalidade entre dois personagens que tiveram seus auges mais ou menos no mesmo período, opondo filosofias profissionais e de vida tão díspares quanto suas aparências físicas. Charmoso, mulherengo e destemido, Hunt era o oposto do feioso e calculista Lauda. Na pista, porém, Lauda e seu estilo germânico de pilotagem, preciso como um relógio suíço, eram a única coisa que alterava o humor de Hunt.

Alterando alguns fatos históricos para tornar o filme mais palatável, Rush tem uma edição primorosa de Daniel P. Hanley - quatro vezes indicado ao Oscar, vencedor com "Apollo 13" - e roteiro de Peter Morgan, responsável por outros grandes filmes inspirados em fatos reais, como "O Úlltimo Rei da Escócia" e "Frost/Nixon"

Além dos atores principais, "Rush" traz boas atuações dos coadjuvantes e a beleza quase obscena de Olivia Wilde, a eterna Thirteen de "House",  na pele da modelo Susy Miller, primeira esposa de Hunt. Vale destacar também a atuação precisamente contida da romena Alexandra Maria Lara, do controverso filme alemão "O Grupo Baader Meinhoff", como Marlene, esposa de Niki Lauda. E do italiano Pierfarncesco Favino, como o piloto Clay Regazzoni. 


Se conseguir superar o ranço da Academia com filmes sobre esporte - ainda mais de uma categoria esportiva sem muitos fãs nos EUA - Rush desponta como candidato a diversos prêmios "nobres" na próxima entrega do Oscar, além dos técnicos como Som , Efeitos Visuais, Maquiagem e Direção de Arte. Até porque, enxergar "Rush" apenas como um filme sobre esporte seria reducionismo demais.
O emocionante "Rush" é muito mais que um filme sobre esporte O emocionante "Rush" é muito mais que um filme sobre esporte Reviewed by Diego Iwata Lima on 15:21 Rating: 5

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