Indicado ao Oscar, "O Lobo de Wall Street" repete boa parceria de DiCaprio e Martin Scorsese

Martin Scorsese faz parte da velha guarda de Hollywood. Ele não precisa fazer muito para chamar a atenção dos produtores e do público. Havia quem acreditasse que sua ousadia – exposta em trabalhos como "Os Bons Companheiros" (1990) e "Os Infiltrados" (2006) – seria deixada de lado após o ótimo resultado do drama infantil "A Invenção de Hugo Cabret".

Aos 73 anos, o diretor mostra fôlego e prova que ainda é capaz de extrapolar limites com estilo. A conhecida visão cinematográfica do veterano, que volta a incluir câmeras lentas em meio a cenas que pedem agitação e a quebra da quarta parede para diálogo direto com o espectador, agora está voltada ao mundo dos negócios.

A carta da vez é "O Lobo de Wall Street" (The Wolf of Wall Street), baseado em livro homônimo que revela a vida de excessos de Jordan Belfort, vivido por Leonardo DiCaprio ("Django Livre" e "O Grande Gatsby") em nova atuação de qualidade, marcando sua quinta parceria com o cineasta. DiCaprio, aliás, foi indicado ao Oscar por esse papel e já levou o Globo de Ouro. O protagonista é um ex-corretor de Nova York que começa a juntar dinheiro enganando seus clientes com ações vendidas fora dos pregões tradicionais. Como ele diz em alguns momentos, não importa como todo o sistema da malandragem funciona, o que importa é que os milhões de dólares não paravam de chegar, inclusive para o sócio Danny (Jonah Hill - "Moneyball" e "Superbad" -, comprovando talento em papéis maduros).

Em tempos em que cantores brasileiros apostam no chamado ‘funk ostentação’ para falar de vidas luxuosas, Belfort coloca todos no bolso. O gasto de US$ 2 milhões em sua despedida de solteiro em Las Vegas é apenas um exemplo da realidade que se transforma a rotina do empresário movido a todos os tipos de entorpecentes.


Scorsese se aproveita do universo de drogas, sexo e rock n’ roll dos novos ricos para explorar o lado mais ambicioso do ser humano. O enredo é repleto de momentos um tanto quanto chocantes para o público puritano, mas Belfort não tem tempo para ser bonzinho.

"O Lobo de Wall Street" recebeu, além de Leonardo DiCaprio, outras quatro indicações ao Oscar: melhor ator coadjuvante para Jonah Hill, melhor diretor para Scorsese, melhor roteiro adaptado para Terence Winter e, claro, o principal prêmio, o de melhor filme do ano.

Como um vendedor ganancioso, o Jordan Belfort sabe onde quer chegar, mesmo que seu caminho seja objeto de atenção do FBI. E a câmera do diretor tenta mostrar como o lobo se lambuza – e se afoga – em sua própria fome.
Indicado ao Oscar, "O Lobo de Wall Street" repete boa parceria de DiCaprio e Martin Scorsese Indicado ao Oscar, "O Lobo de Wall Street" repete boa parceria de DiCaprio e Martin Scorsese Reviewed by Luís Felipe Soares on 13:20 Rating: 5

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