"Questão de Tempo", mais do que sobre viagens no tempo, é sobre o amor

É impossível contar quantos filmes já foram feitos sobre viagem no tempo. Porém, eu não me lembro de nenhum em que o tema tenha sido tratado com a leveza do "Questão de Tempo", que está em cartaz nos cinemas brasileiros desde o começo do ano.

O filme saiu da mente de Richard Curtis, que escreveu o roteiro e o dirigiu. Em um primeiro momento, é difícil imaginar um filme sobre viagem do tempo vindo do roteirista de clássicos água com açúcar como "Quatro Casamentos e um Funeral" e "Um Lugar Chamado Notting Hill", além da adaptação dos dois "Bridget Jones". Talvez seja este, então, o motivo da leveza acima citada.

O filme conta a história da vida de Tim, interpretado  Domhnall Gleeson (o Bill Weasley, da franquia "Harry Potter"), que descobre, ao completar 21 anos, que todos os homens de sua família possuem o poder de voltar no tempo. Simples assim.

Este "voltar no tempo" não depende de carros dotados de capacitores de fluxo, dispositivos espaciais, dobras temporais, velocidades supersônicas, nem nada. A única coisa de que ele precisa é ir até um lugar escuro, como um armário, fechar suas mãos bem fortemente, pensar em uma data e... pronto, lá estará ele. Claro que existem algumas regrinhas, mas estas a gente deixa para vocês descobrirem com o passar do filme.

E Tim quer se apaixonar. Em vez de ficar rico, famoso, poderoso, ele quer apenas se dar bem com as garotas e se apaixonar, como qualquer típico garoto tímido e introvertido. Neste processo, ele se muda para Londres e conhece Mary, papel de Rachel McAdams, e passa a usar o seu dom para conquistá-la.

Curiosamente, Rachel McAdams já tinha protagonizado um filme sobre viagens no tempo sem o viés de ficção científica em "Te Amarei para sempre" (2012), cujo título original, em tradução livre, é nada menos que "A Esposa do Viajante do Tempo" (The Time Traveler's Wife)


A partir deste ponto o filme foge do roteiro típico dos filmes românticos em que o cara se apaixona pela menina (ou vice versa), a outra parte se faz de difícil, eles ficam juntos, um faz uma cagada, eles se separem, eles voltam a ficar juntos no final, pois o amor supera tudo. Mais do que uma comédia romântica, ele é uma ode ao amor. Ao amor paixão, ao amor pela família, ao amor pela vida.

Voltando ao primeiro parágrafo, nunca vi um filme sobre viagem no tempo tão leve, mas também não lembro de ter visto um tão denso quanto às relações humanas. Curtis conseguiu fazer um daqueles filmes em que você sai do cinema com inveja por não ter escrito a história.
"Questão de Tempo", mais do que sobre viagens no tempo, é sobre o amor "Questão de Tempo", mais do que sobre viagens no tempo, é sobre o amor Reviewed by Hiran Eduardo Murbach on 12:38 Rating: 5

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