Presente para quem gosta de cinema, "Trapaça” pode ser a consagração de David O. Russell

Dez indicações ao Oscar, sendo seis delas para as principais categorias: melhor diretor, melhor atriz e ator coadjuvante, melhor atriz e ator e, claro, melhor filme. Até o momento, já venceu 43 das 92 indicações que recebeu nos mais variados prêmios para o cinema do mundo, inclusive três no Globo de Ouro e um no SAG Awards. Só isso já diz muito sobre “Trapaça” (American Hustle), novo filme do diretor David O. Russell, que chega aos cinemas brasileiros no dia 7 de fevereiro.

“Trapaça” é um sucesso pelo conjunto da obra. É um presente para quem gosta de cinema. David O. Russell, indicado pela terceira vez ao Oscar (“O Lado Bom da Vida”, em 2012, e “O Lutador”, em 2010), acerta novamente atrás das câmeras e também no roteiro - dessa vez com a ajuda de Eric Warren Singer. Os figurinos criados por Michael Wilkinson são incríveis e a trilha sonora é bem variável, indo de Elton John a Led Zeppellin.

E como se tudo isso não fosse o suficiente para termos um bom filme em mãos, o elenco escalado para viver essa história policial, mas cômica, dos anos 70, é de tirar o fôlego.

O quinteto principal é interpretado por Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence e Jeremy Renner. Grandes nomes que figuram o topo da lista de bons atores dos últimos anos. Mas, não podemos esquecer a rápida, mas perfeita, participação de Robert De Niro, que revive seus tempos de “O Poderoso Chefão” na pele de um mafioso italiano.

“Trapaça” conta a história do casal Irving Rosenfeld e Sydney Prosser/ Edith Greensly, trapaceiros que atuam em uma rede de lavandeiras de fachada, mas que, na verdade, vivem da venda de obras de arte falsificadas e de um esquema de empréstimo ilegal. A vida dos dois muda completamente quando eles são pegos em flagrante pelo policial do FBI Richie DiMaso, que lhes oferece uma oportunidade única: em vez de ir para a prisão, o casal pode ajudar Richie a prender quatro grandes trapaceiros e se livrar das acusações.


Christian Bale e Amy Adams vivem o casal trapaceiro. Ele surpreende com um personagem acima do peso, careca e com um visual bem esquisito, como uma peruca estranha e ternos extravagantes. Ela abusa dos decotes e da atuação sexy. Mas convence bastante nas partes mais dramáticas do filme. O suficiente, por exemplo, para derrotar a lenda Meryl Streep e sua ótima atuação em “Álbum de Família” no Globo de Ouro. Jeremy Renner dá vida ao prefeito Carmine Polito, dono de um topete hilário e de um bom coração, mas que segue por caminhos errados para conseguir o que quer.

Mas a dupla que realmente rouba a cena é Jennifer Lawrence e Bradley Cooper. O casal já tinha conquistado o público em “O Lado Bom da Vida” e volta a chamar a atenção novamente. Jennifer está cada dia melhor e já se tornou a atriz queridinha do cinema hollywoodiano. Ela interpreta a louca esposa de Irving, Rosalyn, que sabe que o marido tem outra, mas insiste em não conceder o divórcio. Cooper também está fincando o seu espaço no cinema. Sua atuação é impecável como o policial Richie DiMaso. Os dois personagens são loucos e vivos. Destaque para uma cena em que Jennifer canta “Live and Let Die”, de Paul McCartney, e dança loucamente pela casa. A impressão que fica é que a cena foi gravada de primeira, com direito a improvisos da atriz e sem cortes.


Toda a confusão que envolve o quinteto foi inspirada em uma história real que ocorreu nos anos 70. Um escândalo conhecido como Abscam que deu início a uma operação do FBI que investigava o tráfico de bens roubados e que, mais tarde, se tornou um caso de corrupção política. O personagem de Irving, aliás, existiu e foi parte fundamental de toda a operação.

“Trapaça” é um filme divertido, leve e uma experiência incrível. Os penteados, o figurino e as músicas são envolventes e fazem com que o enredo seja muito bem contado e completo. Ainda não vi todos os filmes que concorrem ao prêmio de melhor filme no Oscar, mas, por enquanto, já tenho o meu favorito.
Presente para quem gosta de cinema, "Trapaça” pode ser a consagração de David O. Russell Presente para quem gosta de cinema, "Trapaça” pode ser a consagração de David O. Russell Reviewed by Mayara Munhoz on 16:43 Rating: 5

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