"Now Is Good": Alheia a clichês, Dakota Fanning brilha em papel exigente

"Nossa vida é um conjunto de momentos. Cada um, é uma jornada para o fim.
Desapegue-se!"

Eu já devo ter dito em alguma outra crítica por aqui o quanto não entendo a “seleção” de filmes que vão ser lançados no cinema ou não aqui no Brasil. “Agora e Para Sempre” (Now Is Good) é um dos casos que me faz questionar essa escolha. Temos tantos filmes sem noção que vão para as telonas, enquanto filmes interessantes como este chegam ao Brasil diretamente nas locadoras.

O longa é baseado no livro “Antes de Morrer”, de Jenny Downham, e conta a história de Tessa Scott, uma jovem de 17 anos diagnosticada com leucemia. Depois de desistir do tratamento, Tessa resolve viver ao máximo no tempo que lhe resta, e faz uma lista das coisas que lhe faltam realizar na vida. Entre elas, está deixar de ser virgem, por exemplo. É aí que entra uma figura inesperada: seu vizinho Adam, que lhe ajuda a realizar boa parte da lista e, para a surpresa da garota, lhe faz sentir mais viva do que nunca.

“Agora e Para Sempre” não tem um roteiro com novidades. Já vimos essa mesma história em alguns outros vários filmes, como o famoso “Amor Para Recordar”. O interessante desse longa é a maneira como o diretor Ol Parker, de “O Exótico Hotel Marigold”, parece não ter se importado com os clichês para focar na beleza e na naturalidade com que as coisas acontecem.

O jeito com que Tessa e Adam se envolvem, os diálogos entre os dois e as aventuras que vivem são inspiradores. O modo como a doença da jovem é tratada no filme também merece destaque. Leucemia não é algo simples e não afeta apenas quem está doente, mas sim todos ao seu redor, como a família e os amigos. O filme trata isso de uma maneira intensa, com cenas fortes, como quando Tessa tem uma hemorragia nasal e está sob os cuidados da mãe, que normalmente é ausente e não acompanha nada do tratamento da filha. No hospital, vemos a mãe sem graça ao não saber responder perguntas simples do médico, como quando foi a última vez que a filha esteve no hospital, quais remédios ela toma e outras coisas que uma mãe de uma jovem de 17 anos com leucemia deveria saber.


Dakota Fanning é quem interpreta a difícil Tessa. O rosto conhecido por muitos filmes, desde pequena, como “Uma Lição de Amor” e a vilã Jane, da Saga “Crepúsculo”, se encaixa perfeitamente no papel. Em alguns momentos você é convencido de que a própria poderia ter uma doença terminal. Aliás, é bom vê-la fazendo um papel fofo e comovente. Ela ficou um pouco marcada para mim por causa da Jane – um daqueles vilões que dá vontade de matar? O mocinho da história, Adam, é vivido por Jeremy Irvine, de “Cavalo de Guerra”. Bem menos conhecido que Fanning, Jeremy não deixa a desejar. Ele vive um apaixonante adolescente daqueles que arranca suspiros de qualquer mulher.

Paddy Considine (“Terra de Sonhos”) é o pai de Tessa; Olivia Williams (“O Sexto Sentido”) é a mãe; e o o incrível Edgar Canham vive o irmão mais novo de Tessa, Cal. Ele protagoniza, aliás, algumas das melhores cenas do filme. Cal sabe que a irmã morrerá e está preparado para isso. Ou pelo menos quer demonstrar isso nas inúmeras piadas que faz no decorrer do longa sobre o que fará quando a irmã não estiver mais entre eles.


Mesmo com um roteiro um tanto quanto previsível, mas sem muita escolha, já que o assunto é um pouco batido, “Agora e Para Sempre” é convincente e conquista o público de uma maneira devastadora. As lágrimas são praticamente obrigatórios nos últimos 20 minutos do longa. O texto e a moral que ele carrega são uma lição de vida. Elegante, como quase todo bom filme britânico, é um daqueles que vai entrar para minha lista de “filmes prediletos que eu vejo e choro sempre que posso”.

E voltando ao assunto do início do texto, se o filme tivesse sido um pouco mais divulgado, não apenas no Brasil, duvido que o retorno não teria sido positivo. Arrisco dizer que esses é um dos papeis mais incríveis de Fanning – e, provavelmente, um dos que mais exigiu da atriz, que merecia um reconhecimento maior por isso.
"Now Is Good": Alheia a clichês, Dakota Fanning brilha em papel exigente "Now Is Good": Alheia a clichês, Dakota Fanning brilha em papel exigente Reviewed by Mayara Munhoz on 12:29 Rating: 5

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