27 de março de 2019

'Eu, Tonya' e a história de uma pessoa comum

Olá!

Meu nome é Ricardo e esse é o primeiro texto que escrevo para esse espaço. Minha experiência em filmes iniciou com o Rei Leão, o primeiro longa que fui ver no cinema (se fizer as contas, entrega a minha idade) e a partir daí me apaixonei cada vez mais com esse mundo mágico de contar histórias. Não sou muito fã de filmes de super-heróis. Prefiro histórias de gente como a gente. Que acorda com ramela e às vezes dorme sem banho por preguiça.

Nesse último final de semana, assisti ao filme Eu, Tonya, de 2017, dirigido por Craig Gillespie e estrelado por Margot Robbie (Esquadrão Suicida). A Tonya, que dá nome ao filme, é a patinadora artística Tonya Harding. A história retrata sua vida desde os primeiros passos no esporte, as conquistas na infância, a rotina de treinamento, a busca por um espaço na seleção americana na Olimpíada. E, por mais incrível que possa parecer, todos esses acontecimentos servem apenas de pano de fundo para a apresentação da pessoa que está por trás da figura pública.

Nascida numa família simples, desde cedo ela teve de conviver com desafios muito maiores do que o sucesso nas pistas geladas de patinação. O pai, com quem ela tinha uma relação afetiva bastante próxima, abandonou a família em buscas de seus próprios objetivos. Foi, então, criada pela mãe que, desde o princípio, não se mostrou capaz de lidar com as demandas emocionais da filha. Ela se desenvolveu num ambiente de extrema cobrança pelo desempenho no esporte. Essa cobrança, unida ao talento natural, a fez alcançar lugares de destaque em âmbito nacional e internacional. Ela foi a primeira mulher americana a conseguir realizar o chamado salto triplo axel. Não consigo explicar o que isso significa exatamente, mas se você assistir ao filme conseguirá perceber que é um negócio dificílimo de executar.

Junto de todas essas dificuldades e, talvez até por conta disso, Tonya se mostra uma pessoa com dificuldades de relacionamento e com uma necessidade de aceitação que a torna presa fácil em um relacionamento abusivo. Isso fica claro na forma como ela inicia o relacionamento com seu primeiro namorado e na decisão de ir morar junto dele após uma briga que tem com a mãe. Apesar do ambiente ter mudado, os problemas não mudam.

A forma do diretor montar as cenas também é algo bastante agradável. Em ocasiões mais leves, os atores situam os espectadores comentando situações diretamente para nós, na chamada quebra da quarta parede. Margot Robbie também tem uma atuação primorosa nesse filme. Conseguimos muitas vezes entender os sentimentos que estão em evidência na cena na forma de olhares, reações, gestos, o que aproxima ainda mais a personagem de quem está assistindo. Tonya sorri em três situações nas quase duas horas de filme, revelando uma causa única: a carência e necessidade de ser amada. Necessidade essa que acompanha cada um de nós seja famoso, anônimo, homem, mulher, etc.
É isso, por fim, que me encanta no cinema e que Eu, Tonya nos entrega com maestria. A desmitificação de alguém que, aos nossos olhos mortais, é inalcançável. A capacidade de enxergar que a história de cada um de nós contém fatores que fogem ao nosso controle e que os erros e acertos de alguém também podem ser resultados não de uma falha de caráter mas sim de uma série de acontecimentos que culminaram em algo gigantesco que não nos cabe julgar.

Nós até podemos nos enganar, esperando que super-heróis, com seus super poderes, salvem a terra e todos seus habitantes de uma ameaça. Eu prefiro acreditar que esse poder de tornar o mundo um lugar melhor reside na empatia que todo ser humano deveria ter por outro ser humano.

16 de setembro de 2018

'Hotel Artermis' entrega menos do que promete, mas ainda assim agrada


Já faz algum tempo que eu tenho vontade de voltar a escrever aqui no blog. Não vou prometer que esse será um retorno definitivo, mas tentarei me comprometer mais. Dito isso, ontem eu fui ao cinema e assisti ao curioso Hotel Artemis.

Drew Pearce, roteirista de Homem de Ferro 3 e Missão: Impossível - Nação Secreta, faz sua estreia como diretor com um elenco de peso. A história do longa, porém, tem falhas e acaba por decepcionar - principalmente se você assistir ao trailer antes.

A trama se passa no ano de 2028, em Los Angeles, que vive um estado de guerra civil. As ruas estão tomadas por manifestações, a polícia tem autorização para atirar para matar e o caos está instalado por completo. Em um cenário bem futurista, o Hotel Artemis é o centro de toda a história.

O local, comandado pela Enfermeira (a maravilhosa Jodie Foster), é um hospital secreto para criminosos e assassinos que precisam de cuidados médicos e não querem problemas com a polícia. Tudo se desenrola em apenas uma noite e envolve poucos personagens.

O principal destaque, como não poderia ser diferente, é Foster. Longe das telonas desde 2013, quando fez Elysium, a experiente atriz está impecável. Ela dá vida a uma mulher que parece saber o que faz ao ser responsável pelos cuidados médicos no hotel, mas que lida com problemas de ansiedade e sofre pela morte do seu filho. Além dela, gostei muito das atuações de Dave Bautista, conhecido por interpretar Drax em Guardiões da Galáxia, como o não tão assustador Everest, e de Sterling K. Brown, de This Is Us, com um simpático e inteligente ladrão.

Como disse antes, a trama decepciona. A sensação que o filme passa é de que você está, na verdade, vendo o final de uma história e perdeu os primeiros episódios. Você não consegue se conectar tanto com os personagens, mesmo que em alguns momentos, seus passados sejam explicados de maneira sucinta.

Paralelo a isso, temos uma fotografia sensacional. O cenário pensado para o Hotel Artemis é incrível, misturando um local com uma característica mais antiga com os detalhes futuristas. As cenas de ação também podem ser destacadas como pontos positivos, principalmente a protagonizada por Sofia Boutella, que vive a belíssima Nice.

Por fim, como diz o título, o filme consegue agradar - talvez mais o menos exigentes. Mesmo com os problemas no roteiro e a falta de conexão com os personagens, Hotel Artemis prende a atenção e tem atuações perfeitas que salvam a produção.

Se você é uma pessoa que gosta de prestar atenção aos detalhes e criar teorias sobre os personagens e sobre os filmes, vale focar toda a sua atenção na Enfermeira. Não vou dar spoiler, claro, mas sai da sala do cinema com a impressão de que tudo que acontece no filme é para que ela tenha um desfecho em sua vida, mesmo que o hotel em si seja o "personagem principal" da trama.

Uma observação besta para encerrar o texto: existe um Artemis Hotel de verdade. Ele fica na Barão de Limeira, no centro de São Paulo. Será que rola algo secreto por lá também?

23 de agosto de 2017

'Be Somebody - Simples como o Amor' é um filme simples, mas não como o amor

Hoje me deparei com uma agradável surpresa no Telecine logo pela manhã. Fui procurar algo para ver na televisão e estava começando um filme que me chamou atenção pelo nome: Be Somebody - Simples como o Amor. Nunca tinha ouvido falar sobre, mas só pelo fato de ter a palavra amor no título resolvi assistir - é, sou dessas!.

O filme tem dois personagens como ponto central: a estrela do pop Jordan Jaye (Matthew Espinosa) e a entregadora de pizza/artista Emily Lowe (Sarah Jeffery). O mundo dos dois se encontram quando Jordan tenta fugir de fãs fanáticas e pede uma carona para Emily.

Os dois são adolescentes que vivem uma fase bem semelhante, apesar dos mundos tão diferentes. E acho que aí que grande parte do público vai se identificar: as incertezas com o futuro e com que você quer ser. Não, eu não sou mais uma adolescente. Pelo contrário, já estou bem perto dos 30. Mas as incertezas fazem parte da minha vida até hoje.

E a maneira como o filme trata isso, com certa leveza, é o grande charme da produção. Que fique claro que esse não é um super sucesso dos cinemas, é bem simples, mas bem gostoso de assistir. Talvez até te inspire a acreditar mais em você, apostar nos desafios e encontrar maneiras novas de se inspirar - ou pessoas.

Sobre os atores, por conta da minha faixa etária já citada acima, nunca tinha visto nada sobre Matthew Espinosa. Após procurar, descobri que ele é um viner e, agora, ator. Apesar da pouca experiência, o jovem vai bem. Consegue passar a imagem de insatisfação e confusão que seu personagem carrega e unir com um certo charme de galã. Já Sarah, eu conhecia de Descendentes, da Disney - já disse que sou dessas hoje?. A bela jovem vai muito bem e, para mim, é o grande destaque do filme.


Uma curiosidade bem legal sobre o filme. Eu curti muito a fotografia, a maneira como foi filmado e dei uma procurada para ver porque achei tudo tão diferente. E descobri. O filme, que foi filmado em Los Angeles, foi gravado em apenas dez dias e as cenas foram gravadas, em sua maioria, com câmeras nas mãos - sim, aquelas que são seguradas e controladas pelas mãos de quem filma, e não com carrinhos ou suportes. A direção, aliás, é de Joshua Caldwell.

Por fim, Be Somebody - Simples como o Amor é bem o que o título em português promete: simples. Não como o amor, porque não acho que o amor seja simples, mas ok. Mas a boa história do filme nos inspira a acreditar que seja assim e que é sempre possível mudar e crescer, independentemente da sua idade. Assista e se inspire!

15 de agosto de 2017

Mesmo sem ápice dramático, 'Tudo e Todas as Coisas' conquista e agrada

Caraca, será que eu ainda sei escrever sobre filmes? Espero que sim, pois a ideia é retornar (de verdade!) com as publicações aqui no Cinestrela. E para reestrear escolhi falar sobre um filme que vi essa semana e simplesmente adorei: Tudo e Todas as Coisas (Everything, Everything).

Eu preciso dizer algumas coisas importantes antes de começar a dar a minha opinião sobre o filme: primeiro, eu não li o livro, logo não consigo avaliar a adaptação; e, segundo, eu sou fã de filmes água com açúcar e não é difícil me agradar.

Mesmo assim, Tudo e Todas as Coisas deixa a desejar. Acredito que ficamos mal acostumados com os últimos filmes feitos na mesma linha de doenças/mortes mescladas com histórias românticas, como A Culpa É das Estrelas e Como Eu Era Antes de Você.

Na história, Maddy (Amandla Stenberg) é uma menina de 18 anos que convive com uma doença rara desde que nasceu. Por conta disso, ela nunca saiu de casa e só convive com três pessoas - sua mãe, a enfermeira e a filha dela. Tudo muda quando o jovem Olly (Nick Robinson) se muda para a casa ao lado e se encanta imediatamente pela garota. Os dois iniciam uma amizade online, que vira rapidamente um amor e faz Maddy repensar a maneira que é obrigada a viver.

Apesar de uma bom enredo, com potencial para derramar lágrimas, a trama não chega a esse ápice em nenhum momento. Nem mesmo no final, que, aliás, obviamente não vou dar spoilers, mas li em diversos lugares pessoas dizendo que foi previsível. Preciso dizer: eu não imaginei em momento algum e fui pega de surpresa. Mesmo assim, não foi o suficiente para me emocionar ao ponto de chorar.

A dupla de atores protagonista é bem competente. Amandla, que viveu a pequena Rue em Jogos Vorazes, consegue equilibrar bem a conformidade de ter que viver a vida que lhe foi imposta pela doença com o desejo insaciável de viver - tanto em sua imaginação quanto em sua relação com Olly. Já Nick não tem muito espaço para mostrar uma grande atuação - seu personagem é um príncipe perfeito demais, com um toque até de "bom demais para ser verdade".


Pauline (Anika Noni Rose), mãe de Maddy, aparece pouco, mas o suficiente para não te fazer gostar dela. A atriz, já bem mais experiente, vai bem. Destaque aqui para Carla (Ana de la Reguera), a enfermeira, que atua de maneira brilhante. A relação dela com Maddy é muito bonita.

Por fim, duas coisas que me agradaram muito: a casa de Maddy, que é dos sonhos de tão linda; e as cenas imaginárias das conversas online dela com o Olly, além da participação do astronauta. A metáfora é boa: ela sempre pensa em um astronauta, pois se sente como um preso fora da Terra.

Voltando, então, ao que disse lá no começo, o filme pode não ter a mesma intensidade que os exemplos citados, mas consegue prender a atenção. É gostoso, tem uma trilha sonora incrível, diverte e, com certeza, te deixará com uma boa sensação ao término. Aprovado!

20 de fevereiro de 2015

Com Anne Hathaway, 'Song One' inspira os admiradores de música

Eu fiquei procurando um filme que me inspirasse a retornar com meus textos aqui no Cinestrela. E acredito que achei um perfeito, daqueles filmes que eu gosto muito, sabem? Aqueles que eu acho perdido por aí, vejo sem muita pretensão e termino com a boa sensação de que encontrei algo que valeu a pena.

Esse é o caso de “Song One”, ainda sem tradução para o português e sem previsão de estreia por aqui. O filme conta a história de Franny (Anne Hathaway), uma jovem antropóloga solitária que está tentando tirar seu doutorado vivendo no Marrocos. Após um dia comum de trabalho, ela recebe uma ligação desesperada da mãe: seu irmão sofrera um acidente e está em coma no hospital. Sem pensar duas vezes, ela corre e retorna para Nova York, cidade onde a família reside.

Sem uma previsão de que Henry (Bem Rosenfield) irá acordar, Franny começa a reviver a vida do irmão por meio de um diário que ela encontra em seu quarto. Vai aos lugares que ele frequenta, ouve as músicas que ele gosta e até come comidas que ele descreve gostar. Em uma dessas tentativas de conhecer melhor o irmão, ela conhece James Forester (Johnny Flynn), um famoso cantor indie, que é o maior ídolo de Henry.

A partir daí o filme se divide em uma história de duas pessoas se conhecendo e se apaixonando e uma história da irmã, que tenta ser forte, na espera que seu irmão acorde de um coma. Anne Hathaway é uma das minhas atrizes preferidas e mais uma vez ela não me decepcionou. Uma atuação impecável de uma mulher forte, dedicada e com uma profundidade admirável. Johnny Flynn, um ator não muito conhecido sul-africano, também vai muito bem. Além de muito bonito, com cara de rock star, o seu personagem conquista pela timidez e dificuldade para se expressar quando não está em um palco com seu violão.


Além disso, a trilha sonora do filme é espetacular.  As sequências indies dos bares e shows que Franny e James frequentam são harmoniosas e agradáveis. Vale um destaque para uma passagem onde ouvíamos “Leãozinho”, de Caetano Veloso, interpretada por um músico local com um sotaque engraçado e leve.

Fugindo dos clichês comuns dos dramas hollywoodianos, “Song One” é inspirador. Ainda mais para quem é fã de música e de filmes que se baseiam em músicas.

29 de janeiro de 2015

"Gotham": o tiro certeiro da DC Comics

Grande rival da Marvel, a DC Comics começou a ficar para trás depois que a quase falida empresa de Stan Lee ganhou grande destaque no mercado de produções sobre super-heróis. Tendo só os filmes do "Batman" como principal expoente do mercado, a DC viu sua tentativa de trazer "O Homem de Aço" de volta se tornar um fracasso. 

Entretanto, no mercado das séries a DC vai bem. Já possui a bem-sucedida "Arrow" e lançou, com sucesso, em 2014, "The Flash". Mas a melhor ideia da empresa foi investir em um dos seus principais personagens quando decidiu chamar o roteirista de "The Mentalist", Bruno Heller, para escrever "Gotham"

O seriado acontece na cidade homônima quando os pais de Bruce Wayne são assassinados. O personagem principal é James Gordon, o famoso comissário das histórias em quadrinhos do morcego. Ele é um soldado que abandonou o serviço no exército americano e começa a trabalhar no Departamento de Polícia de Gotham. Gordon é interpretado por Ben McKenzie, famoso por fazer o rebelde Ryan em "The O.C". Ben caiu como uma luva no papel, com suas caras e bocas de quem está incomodado com uma situação que não concorda. E essa situação é a que mais acontece na Gotham que ele encontra. Policiais e políticos corruptos que estão nas mãos da máfia comandada por Falcone e Maroni. 


A série segue o visual sombrio apresentado na trilogia de Christopher Nolan. Com um roteiro bem amarrado, conta a origem de muitos personagens famosos, não só de Bruce Wayne, como Mulher-Gato, Pinguim, Hera Venenosa, Charada, entre outros. 

Vale a pena conferir mesmo se você não gosta do universo do Homem Morcego. A série, que já exibiu 11 capítulos da primeira temporada, passa todas as segundas, às 22h30, no Warner Channel.

24 de maio de 2014

"Game of Thrones" no mundo Disney

O próximo - e tão esperado - episódio de "Game of Thrones" só vai ao ar no dia 1º de junho. Enquanto esperamos pelas próximas emoções, os ilustradores brasileiros Fernando Mendonça e Anderson Mahanski resolveram transformar o mundo de GOT em algo ainda mais mágico.

Já pensou se os personagens da série fossem da Disney?

Bran e Hodor

Cersei Lannister

Jon Snow e Fantasma

 Tyrion Lannister

Daenerys e um de seus dragões

Para conhecer mais do trabalho dos ilustradores: Fernando Mendonça e Anderson Mahanski.