21 de maio de 2013

Título de "Butter" esconde uma divertida comédia indie

Estou há algum tempo com o filme “Butter” (“Manteiga”) lá em casa e simplesmente não tinha vontade de assisti-lo. Muito por causa do título e por causa da sinopse simples que acompanhava o filme. Algo como: “Na pequena cidade de Iowa, uma menina adotada descobre seu talento para fazer esculturas de manteiga e se vê disputando o concurso anual da sua cidade com uma mulher local ambiciosa”. Isso não parece bom. Mas, como estamos cansados de saber “não podemos julgar um filme pela capa”. “Butter” é um ótimo filme, uma comédia que faz uma sátira à sociedade norte-americana e com ótimos atores e atrizes no elenco.

A história do filme é realmente o que diz a sinopse acima. Mas, de forma mais clara, a mulher local ambiciosa é Laura Pickler (Jennifer Garner), esposa de Bob Pickler (Ty Burrell, o incrível Phil de "Modern Family"), o famoso campeão de esculturas de manteiga de Iowa há quinze anos. Mas Bob é convidado a se aposentar e dar oportunidade para outra pessoa vencer a competição.

Laura, então, decide que o título não pode sair da família Pickler e decide se inscrever na competição. O que ela não esperava é que fosse encontrar uma adversária à altura. A pequena Destiny (Yara Shahidi, de "Salt"), de apenas dez anos, é incrivelmente talentosa para esculpir esculturas de madeira. Destiny é um criança que passou anos saltando de casa em casa tentando encontrar uma família que a adotasse, até conhecer Jill (Alicia Silverstone, de "As Patricinhas de Beverly Hills" e "A Arte da Conquista") e Ethan (Rob Corddry, de "Dias Incríveis" e da série "Childrens Hospital").

A grande disputa de esculturas de manteiga é o assunto central dessa comédia, mas não é o mais importante. Cada personagem interpreta um estereótipo norte-americano. Laura é a dona de casa, ambiciosa e que não tem tempo para se dedicar a família. Bob é o marido babaca, completamente dominado pela esposa, mas que busca satisfazer seus desejos com prostitutas. É aí que entra a maravilhosa Olivia Wilde (a Thirteen de "House"), como a stripper Brooke. Bob a contrata e fica devendo 600 dólares a ela. Brooke se dedica a recuperar esse dinheiro e acaba se inscrevendo no concurso para enfrentar Laura.

O casal principal tem ainda uma filha adolescente interpretada por outra atriz linda, Ashley Greene (a Alice da saga "Crepúsculo"). Ela é rebelde, sempre insatisfeita e ainda não sabe o que gosta ou não. Aliás, Ashley Greene e Olivia Wilde protagonizam uma cena quente que nenhum homem em sã consciência no mundo gostaria de deixar de ver. E ainda temos Hugh Jackman (de "Gigantes de Aço" e, claro, o Wolverine), como o dono de uma loja de carros, Boyd Bolton, que é clássico caipira, mulherengo, com direito até a um chapéu.


Do outro lado da trama, vemos a comédia ser deixada um pouco de lado e dar lugar a ternura. Destiny encontra em Jill e Ethan a família que ela sempre sonhou. E a maneira como, principalmente Ethan, cuida da pequena estrela é muito bonita. Nós presenciamos a relação entre os três ir crescendo e se tornando algo real, algo que Destiny não estava acostumada a ter em sua vida.

Por trás das câmeras, está o ainda novato diretor Jim Field Smith, responsável também pela comédia “Ela é demais para mim”. Ele consegue encontrar o caminho certo para conduzir “Butter” e não deixar o filme ser apenas uma comédia qualquer. A história envolve quem está assistindo com facilidade e você se pega torcendo o tempo todo para Destiny vencer o campeonato e Laura se dar mal. Aliás, ponto aqui para Jennifer Garner. Já disse mais de uma vez que sou fã da atriz e dessa vez ela conseguiu interpretar uma quase vilã muito bem. Garner deixa você louco durante o filme com o excesso de ambição e a falta de coração de sua personagem.


“Butter” é uma comédia indie. Um filme diferente do comum e qualidade muito superior à da maioria das comédias que chegam aos nossos cinemas. Aliás, é mais um daqueles filmes que me deixa revoltada. Como pode um filme tão bom como esse e com um elenco conhecido, não ter espaço aqui nos cinemas brasileiros?
Reações:

0 comentários: